José Emídio e José Carlos Soares anunciam adaptação de "A Lã e a Neve" de Ferreira de Castro

Concelho

José Emídio (à direita), com o vereador Rui Luzes Cabral e José Carlos Soares

Ilustrações de ‘Era uma vez a Selva’ em exposição

Foi durante a inauguração da exposição de ilustração 'Era Uma Vez a Selva', patente na Galeria Tomás Costa até 22 de dezembro, que foi confirmada a continuidade do projeto de recriação da obra de Ferreira de Castro. José Emídio e José Carlos Soares revelaram que já estão a trabalhar na adaptação de 'A Lã e a Neve', também para o público juvenil, mantendo a parceria artística.

A Galeria Tomás Costa, em Oliveira de Azeméis, acolheu a abertura da exposição 'Era Uma Vez a Selva', um evento que serviu não apenas para revisitar o trabalho artístico em torno daquela obra de Ferreira de Castro, mas também para lançar o futuro. O escritor José Carlos Soares e o pintor José Emídio confirmaram que o "novo projeto" já está em marcha: a recriação de 'A Lã e a Neve'.

Apoiada pelos pelouros da educação e da cultura, a nova obra seguirá os moldes do livro anterior, procurando manter a identidade visual e o formato físico. José Emídio adiantou que as novas ilustrações manterão o suporte sobre madeira, tal como aconteceu em 'A Selva', embora com cuidados redobrados na escolha do material, afirmou o artista plástico, demonstrando entusiasmo pela sequência da ideia.

 

Pedagogia através da arte

A exposição atual, que ficará patente até ao dia 22 de dezembro, mostra os originais que incorporaram o livro 'Era Uma Vez a Selva', lançado originalmente em 2012 e que conta já com uma segunda edição. O projeto acaba por ter a sua génese quando José Carlos Soares trabalhava num conto que ligava a selva amazónica às espécies do Parque La Salette, evoluindo depois para esta coautoria com José Emídio.

O objetivo central desta iniciativa é pedagógico. Reconhecendo que o romance original 'A Selva' tem uma dimensão que pode intimidar os jovens leitores — descrito carinhosamente por José Emídio como "um tijolo" —, a adaptação procura ser uma porta de entrada para o universo do escritor. "Não é uma linguagem simplista", defendeu José Carlos Soares, explicando que o objetivo é lançar desafios aos alunos do segundo ciclo, preparando-os para, no futuro, lerem a obra integral.

 

A "desconstrução" da leitura

Para as ilustrações agora expostas, José Emídio fala da influência de Cândido Portinari, o célebre pintor brasileiro que ilustrou uma edição de luxo dos 50 anos de 'A Selva', especialmente na representação do incêndio.

A curadoria da exposição contou com a visão de Ana Sousa, que procurou fugir à formatação tradicional de uma galeria. A montagem visa representar o ato de ler como um processo criativo: "Nós lemos uma história, mas o nosso cérebro vai criando essa história", explicou a responsável, sublinhando que a exposição reflete as imagens e "emendas" que a imaginação de cada leitor produz.

O vereador Rui Luzes Cabral encerrou a sessão sublinhando a importância de "acrescentar património àquilo que já temos", celebrando a capacidade de Oliveira de Azeméis continuar a criar história coletiva através da cultura.

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