Junta de Ossela forçada a pagar para não perder Multibanco

Freguesias Ossela

Raquel Sousa diz que Ossela vai assumir o custo do multibanco para evitar a perda do serviço.

Ossela> Assembleia de Freguesia

Com uma média de utilizações diária que não chega a metade do exigido pela instituição bancária, a junta viu-se obrigada a aceitar o pagamento de uma taxa mensal no valor de 75 euros por mês para garantir que a população não perde o único acesso a dinheiro físico na vila.

A Junta de Freguesia de Ossela vai assumir um custo mensal para manter o multibanco na freguesia, depois de a entidade bancária ter considerado insuficiente o número de movimentos registados. A presidente, Raquel Sousa, explicou que Ossela regista uma média de cerca de 72 movimentos diários, abaixo dos 150 apontados como necessários. “Se queremos continuar a ter o serviço, vamos assumi-lo”, afirmou, apelando à população para usar o equipamento.
A autarca admitiu que a junta não pretende suportar encargos com um serviço bancário, mas disse não haver alternativa se a freguesia quiser manter o multibanco. Segundo explicou, foram contactadas outras entidades bancárias, mas sem interesse em assegurar o equipamento sem compensação. “Obviamente, nós não queremos pagar o que é dinheiro da Junta”, disse, acrescentando que, sem esse esforço, Ossela arrisca perder um serviço considerado essencial.

Voluntários para primeira resposta
A Assembleia aprovou também a criação de uma Unidade Local de Proteção Civil. Raquel Sousa justificou a proposta com a falta de meios da freguesia para responder a situações de emergência. “Não temos equipamentos de proteção individual para fazer face a uma situação de muita emergência”, afirmou, explicando que, quando são necessárias barreiras ou outros materiais, a junta depende da Proteção Civil municipal.
A unidade será composta por voluntários e pretende funcionar como primeira linha de apoio em eventos, ocorrências locais e situações de risco. “Isto não é uma questão partidária, é uma questão de comunidade”, disse a presidente, sublinhando que não se trata de substituir a Proteção Civil municipal, mas de garantir “uma primeira reação”.

Oposição quer proposta mais fechada
A proposta mereceu concordância de princípio, mas também reparos. António Rosa, da AD, defendeu que a ideia é pertinente, mas considerou que o modelo deveria ser mais desenvolvido antes de avançar. O eleito sugeriu que a formação dos voluntários deve abranger evacuações, incêndios, primeiros socorros e procedimentos de emergência, e perguntou “quantos voluntários” estão previstos e quais serão os critérios de inclusão e exclusão.
Rosa propôs ainda distinguir diferentes tipos de voluntários, entre operacionais e apoio logístico, admitindo que nem todos terão a mesma disponibilidade ou capacidade física. “De forma geral, concordamos com a proposta”, afirmou, mas deixou a nota de que, internamente, a junta poderia “mostrar um bocadinho mais” o modelo.
Na resposta, a presidente explicou que o processo ainda está a ser trabalhado com a câmara municipal e que caberá a esta entidade apoiar na definição de critérios e formação. Deu como exemplo a necessidade de registo criminal para integrar a equipa e reforçou que os voluntários “não vão amanhã pegar nas trouxas e ir para a linha de combate”.

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