Miguel Paiva: "Região tem um modelo de saúde que gera confiança e emprego"

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Miguel Paiva, presidente do Conselho de Administração da ULS EDV, deixa um cronograma de investimentos considerável, como é o caso da nova unidade de internamento de saúde mental que custará 8 mihões de euros

> Cobertura de médico de família na ULS EDV alcança 99,5% e é caso exemplar no país

Em entrevista exclusiva na Azeméis TV, Miguel Paiva revela a Eduardo Costa, diretor do grupo Correio de Azeméis, que a qualidade da saúde regional é hoje um fator decisivo para a economia local. No balanço de uma década de gestão, o administrador da ULS do Entre Douro e Vouga explica que os grandes investidores multinacionais colocam a retaguarda assistencial no topo das prioridades antes de decidirem instalar-se na região, transformando o setor num motor invisível de confiança e desenvolvimento. E responde de forma diplomática aos rumores "seguros" que o colocam na liderança do Hospital de São José, em Lisboa.

A região de Entre Douro e Vouga, um dos pulmões industriais e exportadores de Portugal, encontrou na saúde um pilar inesperado de competitividade. Miguel Paiva, que lidera os destinos da saúde regional há quase onze anos, destaca que a transição para o modelo de Unidade de Saúde Local (ULS), consolidada no início de 2024, revelou-se uma "excelente solução" para gerir recursos escassos e garantir que os resultados clínicos "comparam a nível nacional e internacional com qualquer unidade que exista".  Para o administrador, a eficácia do sistema não se mede apenas em atos médicos, mas na capacidade de retribuir a uma comunidade que é, por definição, o grande motor do empreendedorismo nacional. 
 
Uma região exemplar para o bem-estar social
Com uma cobertura de médico de família que alcança os 99,5% dos inscritos, a região oferece um nível de segurança que Paiva descreve como fundamental para o bem-estar social. "É confortável. Isso, ter esse conforto", afirma, referindo-se à garantia de que os 330 mil utentes têm um profissional de referência. O modelo aposta agora na medicina preventiva e na estratificação de risco, permitindo antecipar problemas antes que estes exijam crises hospitalares. Esta "quase revolução na forma como olhamos para os nossos cidadãos" é sustentada por equipas especializadas que garantem resultados clínicos "muito melhores". O balanço revela uma instituição num ritmo de trabalho intenso que "não está dependente de uma pessoa", pronta para abraçar desafios como a cirurgia robótica e novas unidades de oncologia e saúde mental.  

Retribuir o esforço da região 
"Esta é uma região profundamente empreendedora e esta é uma região que tem a sua população essencialmente ligada à indústria e ao setor privado. Não é uma região que vive do setor público, do emprego público, vive da criação de riqueza, há aqui este sentido empreendedor e este trabalho muito ligado à indústria com também riscos muito particulares. Eu sinto que o país deve retribuir a esta comunidade um serviço de saúde de alta qualidade, de alta diferenciação, retribuindo a esta região o esforço e a criação da riqueza que ela entrega ao país."

O exemplo da cobertura assistencial 
"Nós temos 330 mil pessoas inscritas nas nossas unidades de cuidados de saúde familiares e temos 99,5% de doentes com médico-família atribuído. Há poucos exemplos de uma região com este grau de cobertura. Como sabem, há cerca de um milhão e meio de portugueses que não têm médico-família, mas desse milhão e meio de portugueses nenhum mora aqui. Praticamente nenhum mora nesta região e isso é uma grande qualidade que nós oferecemos às pessoas que vivem nesta região e que gera conforto e tranquilidade."

A vantagem da gestão integrada
 "A partir de janeiro de 24 passámos a gerir, para além dos três hospitais, todas as unidades de cuidados primários e centros de saúde dos cinco municípios da nossa região. Considero que esta integração de cuidados num modelo de ULS é uma excelente solução porque permite gerir melhor os recursos médicos que são escassos. Conseguimos olhar para toda a necessidade de cuidados dos cidadãos, desde a medicina preventiva até ao tratamento, manejando todos os recursos de uma forma muito mais eficaz."

Aposta no acompanhamento personalizado 
"Nós trabalhamos com uma ferramenta que faz uma avaliação do risco de saúde de cada um dos nossos cidadãos e sabemos quem são e onde vivem os doentes de muito alto risco. Temos projetos para acompanhamento personalizado destes doentes para que não descompensem e não tenham necessidade de ir à urgência. O grande objetivo é que os utentes sintam que, se estiverem doentes, têm uma resposta de qualidade. Estamos a empreender uma quase revolução na forma como olhamos para os nossos cidadãos."

O calor do apoio da comunidade 
"Quando foi a altura do Covid, a sociedade reconheceu e esteve ao lado dos profissionais de saúde, e a nossa instituição foi daquelas que recolheu o maior volume de donativos financeiros da comunidade. Tivemos donativos de centenas de milhares de euros nessa altura e isso para nós tocou-nos muito significativamente porque foi a demonstração de que a região estava connosco. Foi uma sensação de comunhão e a prova de que aquilo que estamos a fazer é efetivamente valorizado por esta força e dinamismo regional."

Investimentos de mais de €8 milhões garantem futuro
"Temos um pipeline de investimento muito significativo, como uma unidade de internamento de saúde mental de 8 milhões de euros, uma nova unidade de oncologia e a aquisição do primeiro robô cirúrgico. A instituição está num rumo e num ritmo de trabalho muito significativo que funciona e que não está dependente de uma pessoa. Há um conjunto de equipas que têm a capacidade de concretizar todo este manancial de projetos que estão a ver a luz do dia. Esta estabilidade permitida ao longo de quase 11 anos foi uma das chaves para os bons resultados."

 

Confiança na saúde é crucial para fixação de grandes  empresas
O impacto desta gestão vai muito além das enfermarias, influenciando diretamente a criação de riqueza. Relatos de autarcas indicam que a robustez do SNS regional é hoje um trunfo em mesas de negociação internacional. "As pessoas, quando recorrem à urgência, recorrem em situações de grande desespero", recorda o administrador, sublinhando por isso a importância de manter um "serviço de urgência credível e uma urgência em que as pessoas da região confiam". Esta confiança é o que permite aos investidores fixarem-se no território, sabendo que existe uma resposta diferenciada para os seus quadros diretivos e famílias.  

Um fator de atração para o investimento
"Quando os autarcas fazem reuniões com potenciais investidores, uma das questões que muitos colocam é quais são os serviços de saúde que existem na região. Quando as pessoas tomam conhecimento daquilo que a região oferece, muitas vezes isso é um fator atrativo para a região. Nenhuma destas multinacionais vai querer transferir um diretor de alta direção se essa pessoa não tiver retaguarda no âmbito da resposta em saúde. Os serviços de saúde desta região são um fator diferenciador positivamente para tornar a região mais atrativa ao investimento."

 

O Convite de Lisboa – especulação ou destino?
O sucesso da gestão de Miguel Paiva ecoou nos corredores do poder na capital. Durante a entrevista, Eduardo Costa confrontou o administrador com informações que considera seguras, indicando que o gestor poderá assumir a liderança da ULS de São José, em Lisboa O Diretor do Correio de Azeméis foi incisivo ao afirmar que as suas fontes tornam o cenário "não especulativo", sugerindo que o reconhecimento nacional do trabalho feito na região terá precipitado este convite.  
Miguel Paiva, contudo, manteve o tom diplomático, classificando as notícias como "especulativas" e escusando-se a comentar o que chamou de "outros voos". O administrador sublinhou que o seu compromisso se mantém até ao final do mandato, em dezembro de 2026, e garantiu que a instituição possui hoje equipas e projetos — como a nova unidade de saúde mental de 8 milhões de euros — que garantem a continuidade do rumo traçado, independentemente de quem esteja na liderança.  
 

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