3 Sep 2026
> Helena Terra
No dia 11 de julho, no Palácio Valenças, em Sintra, ocorreu o pré-lançamento do “Mulheres Conservadoras Portugal”. Trata-se de um novo movimento político e social próximo da direita que tem como embaixadoras algumas deputadas do Chega, entre elas Rita Matias, Cláudia Estevão e Madalena Cordeiro e influenciadoras portuguesas e brasileiras.
Entre as principais oradoras estiveram a influenciadora Rute Sousa, ultimamente conhecida por ter sido uma das influenciadoras portuguesas a viajar a convite do Estado de Israel e a entrar na Faixa de Gaza num movimento de defesa e apoio ao estado de Israel. Lorena Gato, criadora de conteúdos online e que se autodescreve como “embaixadora do Reino de Deus vivendo contra a cultura do mundo”. Rebeca Batista, dirigente de uma fundação evangélica. Catarina Nicolau Campos, chefe de gabinete do grupo parlamentar do CDS-PP e Priscila Costa a deputada brasileira bolsonarista.
O mote que levou à criação deste movimento “Mulheres Conservadoras Portugal” foi, segundo as próprias, o facto de “haver mulheres que seguem tendências. Outras seguem princípios.”
Crê-se que pretendem significar que as Tendências são temporárias porque evoluem e mudam com o tempo, porque a realidade social não é estática. Por sua vez, os Princípios são uma verdade fundamental, uma regra moral, uma teoria ética inegociável e estática.
É difícil perceber um movimento de mulheres com estas bases, em pleno século XXI. Um movimento que nega e recusa evidências, que não aceita o devir e os inevitáveis processos de transformação e mudança. Isto traz-me à memória uma frase batida “há pessoas que já nascem velhas”. Estas senhoras criam um movimento para combater o que lhes permitiu a exposição que têm e o próprio facto de poderem criar este movimento. Insensatez é o mínimo que me ocorre para adjetivar tal movimento.
Sou feminina admitindo as diferenças de construção cultural e social do universo feminino em cada momento, defendendo que a feminilidade se manifeste de forma individual e não padronizada, permitindo o exercício de liberdade de definir a própria identidade sem a obrigação de seguir estereótipos rígidos ou submeter-se a modelos pré-estabelecidos.
E sou feminista porque não abdico de defender que mulheres e homens devem ter os mesmos direitos sociais, económicos e políticos. Combato e combaterei qualquer estrutura patriarcal ou machista que coloque as mulheres em desvantagem ou numa posição de subordinação ao chefe de família entendido como o provedor único e detentor da autoridade da casa. Cerrarei fileiras na luta pela equidade, defendendo medidas necessárias para corrigir as desigualdades entre homens e mulheres, nomeadamente a igualdade de oportunidades para que nenhuma mulher fique em desvantagem por falta de chance.
É uma honra herdar as conquistas de mulheres com M maiúsculo como Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete, Maria Veleda e Carolina Beatriz Ângelo e nunca deixar esmorecer o combate travado pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.
* Advogada