O Museu da Indústria de Cesar abriu portas no dia 10 de janeiro numa cerimónica que contou com a presenta se autarcas e empresários locais
Cesar> Inaugurado no 53.º aniversário da Casa do Povo de cesar
A visita ao novo museu é direcionada por diversos paineis em linha cronológica da Fundação das Unidades Industriais desde 1890 a 1997. Abílio Campos e Joaquim José da Silva, os dois precursores da indústria nesta freguesia, foram homenageados.
Após vários anos com o projeto no papel, foi inaugurado o Museu da Indústria de Cesar, na Casa do Povo de Cesar, no momento em que a instituição pública de apoio social celebrou o seu 53.º aniversário. A ideia do museu surgiu a partir de um livro sobre a indústria local, da autoria de Carlos Costa Gomes, que valoriza a memória industrial de Cesar. No dia em que o Museu da Indústria de Cesar foi aberto ao público, foram também homenageados pela Casa do Povo de Cesar os empresários Abílio Campos e Joaquim José da Silva, considerados os dois precursores da indústria nesta freguesia.
A visita ao novo museu é direcionada por diversos paineis em linha cronológica da Fundação das Unidades Industriais desde 1890 a 1997. Esta linha do tempo faz uma pequena nota dos grandes períodos da transição industrial.
É possível observar que o primeiro período, muito importante para toda a evolução da indústria, tem a ver com a fundação da Feira de Cesar, em 1835. A Feira de Cesar, no local onde é criada, acabou por ser um forte porto de escoamento das matérias de toda a indústria. É possível verificar também que as primeiras unidades industrias foram criadas, por coincidência, ou talvez não, no Largo da Gândara, nas imediações da Feira de Cesar.
Indústria Melo começou o caminho
A Indústria Melo, de Manuel Melo, abriu portas em 1890, foi a primeira empresa a ser instalada em Cesar. É por isso que a primeira peça do mês no arranque do Museu da Industria de Cesar é um gasómetro.
São nos anos seguintes que se entra no segundo período de evolução da indústria de Cesar, entre 1890 e 1920. Anos mais tarde surge a da Indústria Melo, surge a Bebelia, instalada no Largo da Feira.
Os anos 40 apresentam-se com o terceiro período de evolução. Coincide com a saída da Bebélia do território, e que faz aparecer várias empresas na freguesia como a Fersil ou a Flama. Em 1987 surge a União Industrial de Cesar, e é todo este dinamismo que simboliza a passagem importante da ruralidade para a industrialização.
Neste novo Museu da Indústria de Cesar é possível ver produtos que sairam da freguesia e que marcam o imaginário da sociedade portuguesa, como é o caso da popular panela da Carochinha, a primeira panela de pressão a ser fabricada em Portugal, e ainda os tachos da CELAR, e o os grelhadores da FLAMA.
Reconhecimento e compromisso
No ato de descerramento da placa de inauguração do Museu da Indústria de Cesar,o presidente da direção da Casa do Povo de Cesar, sublinhou que este passo “se trata antes de mais, de um gesto de memória, reconhecimento e compromisso”.
“Para a Casa do Povo de Cesar, este momento simboliza a concretização de uma missão que lhe está inscrita desde a sua fundação. Valorizar as pessoas, preservar a identidade das gentes de Cesar. e promover o desenvolvimento social e cultural da comunidade”, afirmou Carlos Costa Gomes. E continuou: “Ao inaugurarmos o Museu da Indústria Cesarense, afirmamos que a história do trabalho e do empreendedorismo local merece ser preservada, estudada e transmitida às gerações futuras. Assinala a consagração pública da memória e património cultural da indústria cesarense”.
Carlos Costa Gomes terminou o seu discurso afirmando que “para a Casa do Povo de Cesar este momento tem ainda um significado acrescido, uma vez que reafirma o seu papel enquanto instituição de proximidade, de cidadania e de cultura, capaz de unir passado, presente e futuro num projeto comum”.
“E esta é, efetivamente, uma homenagem justíssima, A freguesia de Cesar deve muito à sua indústria. A indústria de Cesar, efetivamente, moldou este território, gerou muita riqueza, criou muito emprego e tem tido um papel absolutamente determinante no desenvolvimento económico e social. Tem tido, e vai continuar a ter, seguramente, um papel importantíssimo no apoio ao nosso movimento associativo. Muito obrigado aos seus empresários que têm tido esta responsabilidade social ao longo de todos estes anos”.
Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal
“Este reconhecimento, este ato de gratidão que vocês fazem a todos aqueles que nos precederam, e que com estas obras perpetua a memória dos bravos cesarenses que foram capazes de deixar e nos transmitir esta obra que a Casa do Povo pretende, e muito bem honrar, perpetuar e imortalizar com esta obra sublime”
Amaro Simões, presidente Assembleia Municipal Oliveira de Azeméis
“Este espaço será sempre um justo tributo prestado a todos os nossos empresários, e ao nosso tecido industrial pela sua reconhecida visão e pelo seu empreendedorismo ao longo de mais de um século. (...) Mesmo sendo um espaço pequeno, é digno e repleto de significado que servirá, sobretudo, como espaço de ensinamento para os mais jovens e para todos aqueles que queiram obter maior conhecimento sobre a história da indústria cesarense. (...) Estamos, pois, profundamente orgulhosos, reconhecidos e agradecidos por tudo aquilo que temos e pelo que a Vila de Cesar representa graças a esta sua forte componente industrial”
Ângelo Silva, presidente Junta de Freguesia de Cesar
“É com um enorme orgulho que assistimos a esta inauguração, que representa um símbolo da história da nossa indústria, identidade e empreendedorismo cesarense. É ao conhecermos a nossa história e o papel das nossas indústrias que nos sentimos mais ligados à nossa terra e ficamos mais despertos às oportunidades para o seu desenvolvimento. Que este espaço possa inspirar as gerações atuais e vindouras sobre a história, inovação e empreendedorismo, enquanto espaço pedagógico de conhecimento, partilha e troca de saberes, permitindo conhecer processos de produção e a cultura do trabalho”
Nídia Ferreira, primeira secretária da Assembleia de Freguesia de Cesar.
“Aqui prova-se que a Casa do Povo de Cesar com as valências que tem, com impacto, como o restaurante, o pavilhão com a atividade intensa e diversificada, e agora com museu, um espaço de memória,com as fotografias das pessoas, dos fundadores, da indústria que deram corpo a esta casa nobre. Portanto, está de parabéns a Casa do Povo de Cesar”.
José Novais, presidente da Confederação das Casas do Povo
Reis&Reis a unidade industrial mais antiga
A empresa Reis&Reis foi distinguida no dia da inauguração do Museu da Indústria de Cesar, a unidade industrial instalada há mais tempo na freguesia. Trata-se uma indústria com raízes já centenárias, que sempre se dedicou ao ramo da latoaria tradicional, arte que executam com muito prazer, dedicação e mestria. Resistiu a vários regimes - Monarquia, República, ditadura e democracia - superando duas guerras mundiais, bem como ao aparecimento de novas empresas concorrentes, e de novas matérias-primas como o plástico e outros.
Para a empresa Reis&Reis, a sua longevidade - 126 anos - só é possível para quem vê, olha e sente a latoaria como uma arte. Atualmente, na terceira geração da família, continua a dedicar-se em exclusivo à arte de manusear e transformar o metal em peças úteis no dia-a-dia das pessoas.