9 Jan 2026
João Costa, vereador eleito pela AD na Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis
O vereador eleito pela AD (PSD-CDS), foi muito crítico na última reunião do executivo de Oliveira de Azeméis
Durante a ultima reunião pública da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis João Costa, vereador da oposição AD (PSD-CDS), colocou em causa a coerência entre anúncios públicos, inaugurações formais e a efetiva colocação dos projetos municipais ao serviço da população.
O vereador acusou o Executivo de apresentar projetos sem execução visível, de inaugurar equipamentos sem funcionamento pleno e de normalizar atrasos prolongados em obras públicas. O presidente da Câmara, Joaquim Jorge, respondeu defendendo a dimensão da obra realizada, a complexidade técnica dos processos e um balanço global que classificou como “altamente positivo”.
Projetos anunciados sem conclusão visível
João Costa abriu a sua intervenção com uma crítica global à forma como os projetos municipais têm sido apresentados ao longo dos últimos anos, considerando que muitos deles não chegam a cumprir a função para a qual foram divulgados.
“Temos vindo a ver bastantes produtos sem substância.”
Segundo o vereador, trata-se de projetos anunciados publicamente, apresentados à população ou mesmo inaugurados, mas cujo resultado prático não é visível no terreno.
“Não conseguimos perceber como é que se apresentam projetos e depois não se vê o final à vista.”
Para João Costa, esta forma de atuação cria uma perceção artificial de obra feita e fragiliza a credibilidade da ação municipal.
Inaugurações sem funcionamento ao serviço da população
O vereador aprofundou a crítica, apontando diretamente à prática de inaugurar equipamentos que não entram de imediato em funcionamento. Para João Costa, inaugurar sem colocar ao serviço é um erro político e administrativo.
“Quando nós fazemos uma inauguração ou apresentamos um equipamento, ele tem de ser posto ao serviço das pessoas.”
A crítica foi clara e reiterada:
“Não adianta nada inaugurar algo que depois não tem utilidade.”
Segundo o vereador, este padrão repete-se em vários projetos e traduz uma lógica de comunicação que se sobrepõe à eficácia da execução.
Fórum Municipal: inaugurado, encerrado e ainda incompleto
Entre os exemplos concretos, João Costa destacou o Fórum Municipal, sublinhando que o edifício foi inaugurado, esteve posteriormente fechado e continua sem funcionar em pleno, apesar de já ter passado cerca de um ano desde a inauguração.
“Foi inaugurado, esteve fechado e até hoje não temos o serviço a funcionar aqui em pleno.”
Para o vereador, esta situação ilustra bem a desconexão entre anúncio político e realidade operacional.
Na resposta, Joaquim Jorge rejeitou a ideia de uma inauguração fictícia e defendeu a importância estrutural do edifício para o concelho.
“Este edifício não é uma narrativa, é uma realidade.”
O presidente explicou que os atrasos resultam de problemas técnicos relacionados com a potência elétrica disponível, imputáveis à E-REDES, e que a transferência dos serviços está a ser feita de forma faseada, com monitorização dos consumos, até estarem reunidas todas as condições para a plena utilização do espaço.
Oficina de Artes: apresentação pública sem obra no terreno
João Costa incluiu também a Oficina de Artes no conjunto de projetos que, no seu entender, foram apresentados sem resultados visíveis no terreno. O vereador considerou que a população fica com a perceção de que o projeto está em curso quando, na prática, nada avançou.
Na resposta, o presidente esclareceu que, neste caso, não houve inauguração.
“Nós não fizemos nenhuma inauguração do projeto. Fizemos a apresentação pública do que vai acontecer.”
Segundo Joaquim Jorge, a apresentação teve como objetivo dar a conhecer o projeto à população antes do início da obra, afastando a ideia de que tenha sido criado um falso anúncio de execução.
Parque Urbano e Praceta Antonieta Sobral: primeira pedra lançada, obra parada
Outro ponto levantado por João Costa foi o atraso no Parque Urbano e, em particular, a situação da Praceta Antonieta Sobral, cuja primeira pedra foi lançada em fevereiro de 2024. Passados quase dois anos, segundo o vereador, não existe qualquer avanço visível.
“Passados quase dois anos, continua exatamente no mesmo ponto.”
Na resposta, Joaquim Jorge explicou que a intervenção na praceta resultou de uma iniciativa particular e que o projeto inicial apresentado à Câmara apontava para um custo elevado.
“O projeto apontava para perto de 200 mil euros, o que considerámos inaceitável.”
O presidente garantiu que será feito um investimento mais ajustado à dimensão do espaço e às necessidades do local, rejeitando a execução do projeto nos moldes inicialmente propostos.
Parque de Natal: inauguração sem funcionamento pleno
João Costa criticou ainda a inauguração do Parque de Natal sem que todas as atrações estivessem operacionais, considerando que a decisão foi precipitada.
“Quando se inaugura um Parque de Natal, pressupõe-se que ele esteja funcional no seu todo.”
Para o vereador, se não estão reunidas as condições, a inauguração deveria ser adiada, evitando frustração junto da população.
Joaquim Jorge justificou a situação com problemas meteorológicos e opções operacionais, sublinhando, ainda assim, o impacto global positivo do evento, sobretudo junto das famílias e das crianças.
Derrapagens e atrasos nas obras públicas
Na parte final da intervenção, João Costa questionou a normalização dos atrasos e das derrapagens financeiras em obras públicas, defendendo maior rigor no planeamento, fiscalização e execução.
“Há prolongamentos inexplicáveis em algumas obras.”
O vereador alertou para o risco de se aceitarem exceções como regra, criando um padrão de incumprimento dos prazos inicialmente anunciados.
Na resposta, Joaquim Jorge afirmou que atrasos e derrapagens são comuns em obras públicas de grande dimensão, devido a fatores legais, revisões de preços, condições atmosféricas e complexidade técnica.
“Não é nada normal no país termos uma obra escrupulosamente cumprida dentro do cronograma.”