Naquele tempo

Albino Pinho

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Ao visitar o mercado á moda antiga veio-me á memória os meus tempos de criança. Aqueles que de certa maneira nos marcam para o resto da vida. Lembro, que devido a um problema pulmonar, detectado num rastreio escolar, ir com a minha saudosa mãe, algumas vezes a pé de Fajões, na época uns 9 a 10km aprox., por caminhos e veredas, até ao velho centro de Saúde de Oliveira, às consultas, e levantar os respetivos medicamentos. Era assim naqueles tempos para a maioria das família como a nossa, numerosa e sem grandes recursos.
Também naquele tempo ouvir os adultos falar em ir a Oliveira para mim, e talvez para muitos, na maioria das vezes, não era sinónimo de coisa boa. Ou eram assuntos de tribunal, burocracias administrativas, muito mais complicadas que hoje. Muitos requerimentos, papéis timbrados carregados de sêlos fiscais, mais pagamentos e multas. Tudo acompanhado dos habituais, e exagerados salamaleques da época ao pessoal da respectiva repartição, alguns com o rei na barriga, se calhar á espera de algo mais. Infelizmente esta prática não era exclusiva de Oliveira.  Visitas ao hospital, onde faleceram vários antepassados meus, em condições muito modestas, e até á antiga prisão. Para mim das poucas coisas positivas na época de Oliveira, era a UDO, de quem mais tarde comecei a gostar, e ainda sou ferveroso adepto, e o parque de La Salette. Os oliveirenses que me perdoem, mas continuo achar Oliveira uma cidade muito acidentada, confusa, apertada e sem grandes motivos de interesse, e então ao fim de semana é um deserto confrangedor. 
Como fajonense, sempre senti, desde há décadas, um certo abandono do poder camarário em relação à minha terra, apesar de últimamente estarem a tentar reverter a situação, talvez para compensarem  a situação da Via do Nordeste, que (empancou) talvez difinitivamente, a escassos 800m aprox. da meta. E digo isto porque sinto, para não dizer que tenho a certeza, que não há capacidade, nem vontade política deste executivo, nem dos anteriores,  para negociar e desbloquear a situação de uma vez por todas. O maior dos argumentos para chegar a tal conclusão é que já lá vão mais de 20 anos, é obra! Como gostaria de estar errado! Nunca deixarei caír este assunto, enquanto não vir a Via do Nordeste concluída como deve ser. Em contrapartida temos S. João, maior, na minha opinião mais urbana e desenvolvida em quase todos os aspetos. Mais perto e acessível, onde a minha geração passou a sua juventude, de que guardo as melhores recordações. Onde os nossos pais ganharam o parco sustento dos seus. A maioria na  indústria de calçado, outros nas extintas Oliva, ou Molaflex. Era vê-los todos os dias úteis do ano, e a todo o tempo, a maioria numa tosca bicicleta, de par em par, com a marmita do pobre almoço e a garrafa do tinto, numa saca de pano, amarrados no suporte traseiro da pasteleira, fazer os 6 ou 7km para cada lado.
Acho que hoje se fosse possível dar a escolher aos fajonenses a qual dos dois concelhos pertencer, talvez a maioria escolhesse S. João.

 Albino Pinho, Leitor, de Fajões, do Correio de Azeméis

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