21 May 2026
> Helena Terra
Há cerca de vinte anos, esta foi uma expressão muito usada para classificar uma franja da nossa sociedade. Aos jovens que abandonavam os estudos no fim da escolaridade obrigatória e que ficavam no limbo pessoal e social porque nem prosseguiam estudos, nem trabalhavam. Atualmente, pelos números disponíveis, conclui-se que, no nosso país, abandonaram a escola cedo demais ou não trabalham por doença, incapacidade, falta de oportunidades ou motivação, jovens, entre os 15 e os 29 anos, que representam 8,7% dos portugueses. Mesmo assim, o valor é mais baixo do que o da média europeia, que está nos 11%.
Hoje, apesar de não se usar este epíteto para o efeito, infelizmente há uma nova faixa etária de nem, nem. Falo de homens e mulheres, entre os 50 e os 64 anos que depois de uma vida de muitos anos de trabalho, normalmente sempre na mesma atividade, são atirados para o desemprego pelo encerramento, voluntário ou involuntário, de unidades onde trabalharam e que, nem conseguem arranjar emprego porque já têm muita idade, nem conseguem ir para a reforma porque ainda são novos e não cumprem os requisitos para o efeito.
Atualmente, em Portugal, no número total de desempregados, aqueles que estão na faixa etária dos 50 aos 64 anos representam quase 25% do total dos desempregados. O desemprego nesta faixa etária é predominantemente de longa duração; ou seja, atinge pessoas que estão desempregadas há mais de um ano.
Esta população afetada pelo desemprego vem de setores tradicionais de atividade industrial ou comercial; hoje, uns em rutura e outros em necessária reestruturação. O têxtil, o vestuário e o calçado, com forte presença na região Norte, incluindo o nosso distrito e o nosso concelho. Alguns destes sectores de atividade não conseguiram competir com a concorrência vinda de países como o Bangladesh, o Paquistão, o Vietname e a Índia que, neste momento, lideram a indústria de manufatura e do têxtil, devido à enorme oferta de mão de obra barata e de uma legislação laboral mais ou menos anarca onde, paradoxalmente, é o mais forte que lidera e dita as regras.
Isto levou alguns agentes do nosso tecido industrial a deslocalizar as suas unidades de produção porque têm mão de obra mais barata, fontes energéticas mais baratas e menor carga e controle fiscal.
Além disso, o comércio de retalho tradicional, como sempre o conhecemos, caiu, em muitos casos sem possibilidade de subsistência devido à mudança dos hábitos de consumo e o forte crescimento do comércio eletrónico. E o dito comércio físico que se mantém é o concentrado em grandes unidades comerciais. As lojas do mercado tradicional encerram, e quer lojistas, quer funcionários e, por exemplo, assistentes administrativos destes setores em manifesta crise, vão engrossar os números do desemprego.
Como reintegrar estas pessoas num novo mercado de trabalho é um dos maiores desafios postos às áreas da economia e do trabalho do nosso país. Desafio difícil, mas quanto mais adiado for, maior é a dificuldade de reverter o fenómeno.
* Advogada