No centenário da ‘Senhora de Cidacos’

António Magalhães

António Magalhães

O auditório da Biblioteca Municipal Ferreira de Castro foi palco da jornada de evocação da memória da Senhora de Cidacos. Celebrou-se o centenário, ocorrido em Maio, mas que as circunstâncias retardaram. 
Homenagear Dona Isabel Maria é, antes de mais, evocar a Casa de Cidacos, berço e lar de grandes vultos da nossa terra. É recordar o Professor Costa Nunes, um dos Bravos de Mindelo, que regressou à cadeira de mestre régio da nossa então provinciana vila após seis anos de amargurado exílio pela fidelidade aos ideais implantados, em 1820, pela chamada Revolução Liberal do Porto, defensora de uma monarquia constitucional.
 O mestre cuja filha Rita Margarida haveria de casar com o Dr. Francisco Albano Amador Valente, este pai, por sua vez, do Dr. Manuel Amador Valente, ambos advogados e figuras gradas da sociedade e da política local. Por sua vez, a filha do último, Maria Luísa, casaria com o Dr. Alberto de Sá Oliveira, prestigiado servidor da causa pública a quem devemos a construção do primitivo Centro de Saúde – considerado, na época, dos melhores apetrechados da província - quando exercia as funções de Presidente do Conselho de Administração da Federação das Caixas de Previdência e Abono de Família, razão por que o seu busto ali se ergueu. 
Um casamento de que nasceriam Dona Isabel Maria e mais três irmãos. O facto de nenhum dos quatro ter filhos determinaria a extinção da Casa de Cidacos. Pois que, solteiro e sem filhos, faleceria também o Dr. Manuel Seabra Amador Valente, devotado amante da Casa de Cidacos, um apaixonado pela arte e que por ela correu o mundo. 
Homenagear Dona Isabel Maria é prestar a justa consagração a uma Senhora – a Senhora de Cidacos, como todos carinhosamente a trataram - que, no respeito e na lealdade às tradições dos seus maiores, fez da nossa terra o grande amor da sua vida, de que o Rancho Folclórico de Cidacos é apenas o sinal mais visível. Porque, no maior silêncio, há muita lágrima enxuta, muita dor consolada, muita esperança acalentada. Homenagear Dona Isabel Maria é ainda evocar a figura saudosa e presente do Juiz Conselheiro José Calejo, sempre recolhido na maior humildade, companheiro dedicado de todas as horas boas e menos boas.
Dona Isabel Maria faleceria em Agosto de 2019, aos 97 anos de idade. Uma morte que pode ter ditado, sem retorno, o fecho dos sempre franqueados portões da histórica Casa de Cidacos, decidirá o doloroso rasgar de uma página de ouro da história oliveirense. É a vida…
Saiba o seu Rancho, que criou, amou e serviu, saibamos, nós todos, oliveirenses, ser dignos da sua memória.
(Escrito de acordo  com a anterior ortografia)
 

Partilhar nas redes sociais

Comente Aqui!









Últimas Notícias
Oliveira de Azeméis > AZ Street Basket leva torneio misto às Piscinas Municipais
16/07/2026
Afonso Azevedo reforça a liderança no campeonato
16/07/2026
Irmãos Vasco e Afonso Ribeiro no pódio em França
16/07/2026
PSU combaterá com eficácia a pobreza
15/07/2026
Regulamento admite uso de arma, revistas e meios coercivos pelos agentes
15/07/2026
Alunos da EB1 do  Brejo,  S. Martinho da Gândara,  conhecem currículo  de  Dr. António Luís Gomes
15/07/2026
Cooperativa Elétrica de Loureiro assinala data com caminhada
15/07/2026
Beatriz Oliveira faz da fisioterapia o seu caminho
15/07/2026