24 Jan 2023
Macinhata da Seixa
Nascido a 28 de Janeiro de 1923, na vizinha freguesia de Válega, o Padre Manuel Pereira Reis celebrou a primeira Missa em Macinhata da Seixa no dia 13 de Dezembro de 1975. A última, já com visível sacrifício, teria lugar a 10 de Julho de 2000.
A partir daí, um doloroso calvário até que a morte veio pôr termo ao longo martírio no dia 23 de Outubro de 2000. Ordenado sacerdote na Sé do Porto aos vinte e três anos de idade, em 1946, o jovem pastor foi nomeado coadjutor da paróquia de Valbom, no concelho de Gondomar, de onde rumaria até Albergaria das Cabras e de Cabreiros; daqui para terras de Pedorido, do concelho de Castelo de Paiva, e aí arrostaria com a conclusão das obras da nova igreja paroquial.
Entretanto, o Padre Reis, que havia já demonstrado qualidades oratórias, aceita o convite do Prelado para que dirija a Liga Eucarística dos Homens, e foi nesta para si apaixonante missão que calcorreou o Mundo, percorrendo cerca de cinquenta países e pregando praticamente em todos os locais onde existissem comunidades de portugueses.
Cansado desta vida de peregrino, e assistindo com preocupação ao envelhecimento dos pais, a quem sempre devotou carinho, manifestou desejo de voltar à vida paroquial. A chamada do Padre Manuel Pires Bastos para terras de Ovar “trouxe-o” até Macinhata da Seixa, onde permaneceria durante vinte e cinco anos menos dois meses. Máximo de permanência só atingido mais de um século antes.
O Padre Reis chegava a Macinhata da Seixa no vigor dos cinquenta e dois anos. Carácter determinado e irrequieto, de imediato se empenhou em dar continuidade ao projecto do antecessor, então designado timidamente por “Casa da Criança”. Um projecto que teria início em 1978 e que abriria as portas no dia 1 de Fevereiro de 1989. Um longo e penoso percurso onde se caldeou de tudo: as conhecidas teias burocráticas da Administração Pública, promessas políticas não cumpridas, a desonestidade e a falência dos dois primeiros empreiteiros adjudicantes, naturalmente as limitações de uma aldeia de milhar e meio de habitantes onde a indústria estava praticamente ausente. Dos que sobrevivem, só o Arquitecto Nelson Castro conhece a dimensão da aventura. A inquebrantável força de vontade do Padre Reis, a sua tenacidade, o seu particular “jeitinho” para a reunião de fundos - dando o exemplo ao abdicar do chamado folar da Páscoa - foram decisivos para a concretização do sonho. Quando o Centro Social e Paroquial de Santo André de Macinhata da Seixa abriu as portas, a instituição aparecia, na voz autorizada de altos responsáveis, como um exemplo no distrito.
28 de Janeiro de 2023 assinala, assim, o centenário do Padre Reis. Sabemos como é fraca a memória dos homens, mais frágil ainda a gratidão.
Cabe-nos, a todos, os que sobrevivemos, manifestá-la. E assim, o nosso Centro Social e Paroquial de Santo André de Macinhata da Seixa poderá e deverá, nesta passagem do centenário, passar a designar-se tão-somente Centro Social e Paroquial Padre Reis.
Naturalmente, a burocracia é muita. Mas a paz de consciência do dever cumprido compensará o esforço da tarefa.
Assim se espera.
(Escrito de acordo com a anterior ortografia)