Nos cem anos do nosso Santuário

António Magalhães

As obras de construção do nosso Santuário de Nossa Senhora de La Salette tiveram inicio em 20 de Março de 1923. Completou-se um século há dias.
Foi autor do projecto o Arquitecto António Correia da Silva, um portuense gigante da arte, autor, entre muitos outros arrojados trabalhos, dos Paços do Concelho, ao cimo da Avenida dos Aliados, e, não muito longe, do Mercado do Bolhão. Não será atrevido admitir que veio até nós pela mão do Dr. Bento Carqueja.

O país vivia tempos de profundas convulsões políticas, que conduziram ao Movimento de 28 de Maio. Razões que determinaram, não só uma morosidade das obras, concluídas apenas em 1940, mas também, e muito principalmente, ao empobrecimento dos materiais, substituindo-se a riqueza do nosso granito pela aridez do cimento.   
   A Igreja de Roma reconhecera as aparições. A 19 de Setembro de 1855, D. Ginoulhiac, Bispo de Grenoble, resumia assim a situação: “A missão dos pastores chegou ao fim, a da Igreja começa”.
A devoção a Nossa Senhora de La Salette em breve ultrapassou as fronteiras de França. Impossível saber quando chegou a Portugal. Certo é que já no distante ano de 1864, na capela do Solar de São Julião, da antiquíssima família Sousa Lara, em Paranhos da Beira, passou a venerar-se por voto de D. João de Albuquerque do Amaral e Cardoso, oriundo da Casa do Arco, em Viseu, que ali casou com a Morgada D. Maria Carolina Jácome Freire de Vasconcelos.
Sobre o início da devoção a Nossa Senhora de La Salette entre nós, está tudo escrito, de modo particular pela pena do sempre saudoso oliveirense ser António César Guedes, também ele um seu devotado amante.
Erguer o nosso Parque em tempos das maiores dificuldades, quando apenas as carências abundavam, sem quaisquer apoios oficiais, desconhecidos ainda o Feder e tantos outros posteriores Fundos Comunitários, mais recentemente o PPR, constituiu, efectivamente, uma ainda não escrita epopeia de gigantes.
A que se poderá juntar, talvez, uma manifestação da também não ainda explicada força telúrica, porventura bem viva ali nas entranhas do Monte dos Crastos: se ao longo de mais de um século não escassearam os escolhos no duro da jornada - alguns deles tão desnecessários! - apareceu sempre o punhado de resistentes dispostos a lutar e a vencer. E o Parque continua a menina dos nossos olhos! 
  (Escrito de acordo com a anterior ortografia)

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