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Correio de Azeméis

29 Jan 2026

O comboio ‘desviado’ para Ul

Concelho

A romaria à freguesia de Ul a partir da Linha da Vale do Vouga é recordada por Manuel da Silva Tavares

> Memórias de um século

Manuel da Silva Tavares, que caminha para os 95 anos de uma vida dedicada ao trabalho e à observação atenta da sua terra, recorda com uma precisão cirúrgica o tempo em que Ul era o "centro do mundo" durante o mês de fevereiro.

Antigo motorista de autocarros, habituado a percorrer as estradas da região, Manuel descreve um cenário que hoje parece cinematográfico: a Linha do Vale do Vouga, que ligava Espinho a Oliveira de Azeméis, tornava-se o cordão umbilical de uma multidão de fiéis. 
O prestígio da romaria era tal que a própria companhia ferroviária cedia às solicitações eclesiásticas para criar paragens de exceção, permitindo que o vapor deixasse centenas de passageiros diretamente no coração da freguesia. 
Além da logística ferroviária, a economia local fervilhava; o seu pai, como tantos outros, transformava a casa em estalagem e taberna para alimentar quem vinha de longe, num ciclo de trabalho que ignorava o relógio e que transformava o pão quente e o vinho no sustento de uma festa que não conhecia o cansaço.

Os carris da saudade
"Havia uma grande tradição: um comboio que vinha de Espinho para Oliveira. No dia de São Brás, principalmente no dia 3, vinha até aqui a Ul cheio de passageiros. O padre pediu à companhia e eles fizeram a vontade. Antigamente vinham muitas excursões, eram bichas de carros que iam daqui quase até Oliveira de Azeméis."

A produção que não parava
 "O meu falecido pai ia vender vinho e comidas, era trabalhar dia e noite nestas alturas da festa. A produção de pão nem dava vazão à procura, trabalhava-se até às três da manhã. As pessoas daqui da terra trabalhavam para a diversão das pessoas de fora, o que também dava um certo rendimento."

A fé e o ritual 
"O São Brás sem as promessas é quase como uma comida sem sal. As pessoas pedem ao santo para melhorar da garganta e, quando sentem que foram atendidas, têm a obrigação de vir cumprir. A gente prometeu, teve o proveito, e a fé é o que nos salva."
 

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