11 Mar 2026
>Presidente da Câmara desencadeia um debate interessante sobre a imprensa local e sua relação com os políticos
"Aquilo que eu espero é que a nossa comunicação social se dedique a publicitar aquilo que de bom acontece no concelho, aquilo que os oliveirenses todos os dias conseguem construir no nosso concelho.
E o trabalho extraordinário que é feito pelo nosso movimento associativo, que é feito pelos investidores, que é feito pelos nossos empresários, que é feito pela sociedade civil, e que não sejamos contribuintes para alimentar este tipo de postura política, porque quer essa comunicação social, quer essa postura política, não tem futuro."
Joaquim Jorge, presidente da câmara municipal na sessão da CM de 04 de março
Caro Joaquim Jorge, presidente da Câmara Municipal,
Permita-me que exprima a opinião pessoal, de que tenho razões para acreditar que V. respeita o papel da comunicação social, enquanto parte indispensável do exercício democrático.
Embora acredite sinceramente que o recado público em sessão de câmara não tenha sido dirigido ao Correio de Azeméis, pois este órgão produz uma atividade precisamente empenhada em alguns dos temas que defende e que a comunidade nos reconhece e acreditamos que V. também.
Contudo, e enquanto primeiro profissional da imprensa local e defensor intransigente, há décadas, da sua missão, e ‘formador’ de muitos profissionais, li com preocupação e, assim, não posso deixar de notar algo que V. por certo respeitará, e acredito que melhor analisando porventura poderá concordar.
Quando deu um ‘puxão de orelhas’ à imprensa local, permitindo-se comentar o que esta deve ou não tratar, poderá estar V. a interferir na orientação editorial de um órgão de comunicação social.
Repetindo-me, não acredito que essa fosse a intenção. Por isso, permito-me convidá-lo a contribuir para uma saudável convivência onde cada um dos atores possa defender as suas ideias, balizados pelas regras da democracia e, da nossa parte, dos códigos deontológicos que nos esforçamos por respeitar.
Caro presidente, esta é a postura que defendemos para uma comunicação livre, independente e plural. A que cumpre o seu dever de escrutinar os poderes públicos, tal como estou convicto que V. defende.
Esta máxima serve para os dois lados do debate interessante e muito útil que introduziu. Saudável em democracia, desde que haja respeito pelo papel de cada um. É uma postura política que achamos correta e conveniente. As instituições devem respeitar-se. Cada uma no seu papel. Todos temos a ganhar.
A imprensa não tem um papel fácil, como escrutinador das decisões dos autarcas. Do qual não podemos dispensarmo-nos. É um papel difícil e ingrato. Como também não é fácil a um autarca dizer ‘não’ a um pedido de munícipe.
Esclarecer um jornal de algo em que terá sido menos exato é uma coisa perfeitamente aceitável. Dar dicas sobre o que deve publicar ou não, isso é bastante diferente.
Caro presidente, é a democracia a funcionar.
Compreenda o meu bem intencionado desabafo. Eu compreendo o seu. Vemos os assuntos por prismas diferentes. É perfeitamente natural. Assim não fosse, e não vivíamos num saudável ambiente democrático e de respeito.

Eduardo Costa, diretor