O Parque de La Salette

Ana Isabel da Costa e Silva

Ana Isabel da Costa e Silva *

 ...‘o mundo comum é aquilo em que entramos ao nascer e deixamos para trás quando morremos’, escreveu Hannah Arendt1. 

A frase de Arendt terminou a crónica anterior e inicia a crónica desta semana, uma vez que o mundo comum é um conceito que ajuda a entender a necessidade de estabilidade e permanência de algo que nos pode unir a todos, uma vez que navegamos, cada vez mais, num mundo de incertezas e de mudanças constantes.  

No que diz respeito ao mundo comum, o Parque da La-Salette, construído no início do século XX (um bem-haja aos seus fundadores), situado no ponto mais alto da cidade, outrora denominado Outeiro do Castro ou Calvário, será, certamente, o espaço eleito por todos os oliveirenses. Para além do alcance do território visível, o Parque é também a casa para o desenvolvimento de diferentes espécies florestais, sendo algumas delas raras no nosso país.

A celebração religiosa que se inicia no primeiro domingo do mês de agosto, marca a cidade todos os anos, à qual se associa uma festa concelhia onde as Farturas Couto são, nos tempos que correm, uma tradição. As filas que os oliveirenses fazem a partir do final do mês de julho para comerem as farturas finas ou mais espessas, conforme os gostos, para levarem para casa ou comerem ali mesmo, confirmam essa tradição. 

No entanto, a questão da mobilidade no Parque ainda não foi afrontada. Refiro-me, justamente, nestas ocasiões de festa, não esquecendo, no entanto, os outros momentos do ano, onde o automóvel é uma constante nos espaços do Parque. 

A requalificação do Parque em 2009, uma oportunidade única para pensar a questão da mobilidade automóvel no Parque, não teve qualquer consequência positiva nesta questão. 

Ao trazer novos equipamentos e novas valências ao Parque, há uma necessidade urgente: saber de que forma as pessoas chegam ao Parque e local onde podem deixar os seus veículos (bicicletas, veículos motorizados, automóveis, autocaravanas e autocarros). A definição de locais próprios para estacionar aqueles veículos é uma prioridade em tempos normais, ao longo do ano, tornando-se uma urgência em alturas de festa. Há razões de comodidade e, sobretudo, de segurança das pessoas, das árvores e dos bens.

A acumulação dos automóveis, ao longo da via de acesso, que ocupam um lado e o outro da estrada, não deixando margem para ninguém caminhar a pé, onde a circulação não cessa, acabando por formar trânsito parado, em dias de festa, lançando dióxido de carbono para a atmosfera e para aqueles que se encontram sentados a comer, deliciosamente, a sua fartura, mais parece fazer parte de uma cena de um filme onde se constrói um mundo ao contrário...

Bom apetite...

1  ARENDT, Hannah – A Condição Humana. Lisboa: Relógio de Água, 2001.
    * Arquiteta de Oliveira ded Azeméis
anadacostaesilva@correiodeazemeis.pt 

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