Carlos Correia *
Até à época 1994/95 a história do Atlético Clube de Cucujães (ACC) desenrola-se em grande parte nas competições distritais, com passagens esporádicas pelo Campeonato Nacional da III Divisão, onde o objetivo principal era garantir a manutenção.
Na época 1994/95 tudo passou a ser diferente na vida do ACC.
O Cucujães disputa o Campeonato Nacional da III Divisão de futebol, Série C, onde o Covilhã se apresentava como o grande candidato à subida de divisão.
Logo à oitava jornada o ACC integra o pelotão da frente, constituído por três equipas. À décima terceira jornada o Cucujães passa a líder isolado, condição que não mais largou até final da prova (34ª jornada).
Em 7-5-1995 o Cucujães recebe em sua casa o S. João Ver e vence por 2-1, garantindo, pela primeira vez na história do clube, o acesso ao Campeonato Nacional da II Divisão, quando ainda faltavam três jornadas para terminar a prova.
Terminada a primeira fase do Campeonato Nacional da III Divisão, seguiu-se a segunda fase, para apuramento do Campeão Nacional da III Divisão, dividida em Zona Norte e Zona Sul.
Na segunda fase o Cucujães integra a Zona Norte, juntamente com o Sandinenses e Lamego, vencedores, respetivamente, da Série A e B do Campeonato Nacional da III Divisão.
O Cucujães, dando continuidade ao excelente futebol praticado durante a primeira fase, vence merecidamente a Zona Norte, alcançando lugar na final para disputar com o Beja, vencedor da Zona Sul, o título de Campeão Nacional da III Divisão de futebol.
Apesar de ter conquistado em campo o direito a disputar a final, o Cucujães veria tal direito ser-lhe negado pelo Conselho Disciplina da FPF, através da aplicação da sanção de derrota no jogo Cucujães – Sandinenses, por alegadamente ter utilizado irregularmente o atleta Manuel António, o qual deveria ter cumprido um jogo de suspensão por acumulação de três cartões amarelos em diferentes jogos.
A sanção de derrota aplicada pelo Conselho de Disciplina assentou num erro do árbitro do jogo Arrifanense – Cucujães. Neste jogo, o Cucujães, já com a subida de divisão garantida, aproveita para rodar os jogadores menos utilizados e fazer a gestão dos cartões amarelos. Dentro desta gestão, o jogador Manuel António, um dos mais influentes da equipa, fica no banco dos suplentes e ao minuto 79 protesta uma decisão do árbitro, provocando a amostragem do cartão amarelo (o terceiro na prova, com a consequente suspensão de um jogo), de forma a “limpar” os cartões amarelos na jornada seguinte e entrar na fase de apuramento do Campeão da Zona Norte sem cartões amarelos.
Erradamente, na ficha do jogo, o árbitro refere que o jogador admoestado com cartão amarelo foi o Paulo Gonçalo e não o Manuel António.
Não tendo sido detetado o erro do árbitro, o Manuel António não é inscrito na ficha do jogo seguinte, de modo a cumprir o jogo de suspensão que lhe deveria ter sido aplicado e, consequentemente, faria com que a sua atuação no jogo Cucujães – Sandinenses tivesse sido regular.
Todos os jornais que fizeram a cobertura do jogo Arrifanense – Cucujães referiram que o cartão amarelo foi exibido ao Manuel António, mas tal não foi suficiente para que o Conselho de Disciplina afastasse a presunção de verdade de que goza a palavra do árbitro, transformada em “vaca sagrada”. O Cucujães acabou injustamente afastado da luta pelo título de Campeão Nacional da III Divisão de futebol, título que esteve tão perto.
* Ex-deputado da Assembleia da República pelo CDS-PP