Olhe que não, olhe que não!

Helena Terra

Helena Terra *

A semana acabou com mais uma demissão de um membro do governo da nação. Desta vez foi Marco Capitão Ferreira, secretário de Estado da Defesa. Esta saída aconteceu após as buscas efetuadas à sua residência e ao Ministério da Defesa que, culminaram com a sua constituição como arguido, naquela que é conhecida como a operação Tempestade Perfeita. Sobre ele recaem indícios da prática de crime(s) de corrução e participação económica em negócio.

O atual governo está em funções há pouco mais de 16 meses e conta já com 13 demissões de membros do XXIII governo. E são apenas estas, porque não saíram todos os que há muito deveriam ter saído e cuja saída é, do meu ponto de vista, uma questão de necessária higiene.
O primeiro-ministro António Costa, diz que os portugueses não estão preocupados com as mudanças no governo e que isso também não é importante para ele, líder do dito governo e secretário-geral do Partido Político que, com maioria parlamentar, o suporta. Claro que, António Costa o diz numa tentativa de desvalorizar o que não pode, nem deve ser desvalorizado. Finaliza as suas declarações públicas a este propósito, dizendo que ele e o governo estão focados naquilo que são os verdadeiros problemas dos portugueses.
Isto são proclamações de chavões que, não só não têm tradução prática, porque as pessoas não notam, apesar, daquela anunciada tão grande preocupação com os portugueses, grandes melhorias na sua vida quotidiana. Cada vez sobra mais mês e falta dinheiro. O Serviço Nacional de Saúde continua a revelar carências que aumentam todos os dias. A Educação pública clama por respostas. A Justiça precisa de funcionar, de ser equitativa e eficaz e, para isso, tem de ser entendida pelos cidadãos. A nossas forças de segurança precisam de ter autoridade, mas não podem ser autoritárias. As profissões não podem ser substituídas por uma qualquer função …
Isto continua a preocupar todos os dias os nossos cidadãos, como os começa a preocupar aquilo que todos os dias se começa a passar em França que, afinal é aqui tão perto, sendo que a nossa realidade e multiplicidade social e cultural começam a não ser assim tão diferentes.
As constantes saídas de membros do governo, demasiadas vezes, a braços com problemas com a justiça, preocupam os portugueses, não pelo caso A ou B, ou pelo Casinho X, Y ou Z, mas por tudo o que cada um deles e o seu conjunto, significam para a qualidade da nossa democracia. 
Só há democracia se os portugueses se sentirem representados por aqueles que elegem e por aqueles que os governam. Uns e outros têm de ser vistos como exemplos, como líderes que gostássemos de seguir ou tentar igualar. Nos atuais personagens políticos no ativo é, cada vez, mais difícil acreditar, quanto mais querer seguir ou igualar. Os cidadãos, todos os dias, afastam-se mais da política das questões da causa pública e, consequentemente, de qualquer urna de voto.
Os portugueses não se preocupam com as saídas do governo? Olhe que não Sr. primeiro-ministro, olhe que não!
  * Advogada
 

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