Helena Terra*
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"Hoje, o primeiro de maio não passa despercebido porque é feriado, mas deixou de ter, em Oliveira de Azeméis, a importância que teve naquela altura"
A primeira grande manifestação do 1º de Maio em Oliveira de Azeméis, aconteceu no dia 1 de maio de 1974. Eu estive lá. Não desfilei na manifestação pelas duas principais ruas da vila. Fiquei no Jardim Público, por indicação do meu pai. Eu era miúda, andava na instrução primária. As indicações do meu pai, foram que, com a minha mãe, eu e aminha irmã, ficássemos no jardim porque aí seria a “meta” da manifestação. Foi um mar de gente, de todos os “estratos sociais”. Gente com peso político e social aqui na vila e no concelho, trabalhadores em geral, alguns operários, estudantes (que não tínhamos no mesmo número que temos hoje, por motivos óbvios), gente anónima e de todas as idades, antigos combatentes, recentes, da guerra colonial, domésticas…
Olhando para trás, hoje e interpretando a memória da miúda que na altura assistiu a isto, foi a primeira grande manifestação de Liberdade de um Povo durante muito tempo oprimido e ansioso pela chegada da sonhada, em silêncio, Liberdade.
Na marcha empunhavam-se cartazes de “viva a Liberdade”, “o povo unido jamais será vencido”, “abaixo o capitalismo”, “salário mínimo de 6 000$00”, “estudantes e operários, a mesma luta”, “melhores condições de vida para os operários…
No Jardim Público, um mar de gente que ali se concentrou no fim da manifestação e que gritava algumas palavras de ordem, das quais eu também fiz coro sem ter, ao tempo, noção do seu verdadeiro significado, mas percebendo que eram importantes porque, o número das pessoas presentes, lhes conferia tal adjetivo. Hoje, o primeiro de maio não passa despercebido porque é feriado, mas deixou de ter, em Oliveira de Azeméis, a importância que teve naquela altura. Hoje o nosso concelho tem pleno emprego e, em várias áreas, a mão de obra é deficitária. Na hotelaria e restauração, nas várias artes da construção civil e nas áreas do setor social, a mão de obra é deficitária e, vão-nos valendo os imigrantes.
Hoje, Oliveira de Azeméis tem um enorme tecido e potencial industrial e, atendendo ao tipo de indústria que temos, acredito que ainda tenhamos algum défice de mão de obra altamente especializada e de elevadas competências na área das novas tecnologias.
Oliveira de Azeméis hoje, necessita de aumentar os seus espaços industriais, criar-lhes condições de acessibilidade e de facilidade de acesso a serviços instrumentais e acessórios para o desenvolvimento das suas atividades. Além disso, necessita de mais habitação quer para o mercado do arrendamento, quer para o mercado de aquisição. Para que isto aconteça é necessário “aliviar” procedimentos de licenciamento de construção, o que não significa descuidar o nosso território, nem deixar de cumprir os instrumentos de gestão territorial. No que à habitação diz respeito, estas medidas que parecem pouco farão grandes diferenças na morosidade do investimento que se reflete no preço final.
Palavra de ordem do 1º de maio nos dias de hoje: “unamo-nos para acabar com a pobreza e defender a Liberdade e a Democracia”!
* Advogada