Padre António Nunes morreu há cem anos

Opinião

António Magalhães *

Diz-nos a gravação no granito de um mausoléu no corredor central do cemitério de Ul que ali repousam três irmãos: o Padre José Agostinho da Silva Nunes, Teresa da Silva Nunes e o Padre António da Silva Nunes. 
A irmã Teresa terá desistido do casamento, ao jeito da época, para acompanhar os irmãos sacerdotes. Neste caso três, porque o padrinho Manuel foi igualmente ordenado sacerdote. Faleceu pároco de São João de Ovil, Baião, em 7 de Dezembro de 1912, tendo assumido as três filhas Maria, Laurinda e Laurentina, a quem legou o património, e usufrutuária a mãe Leopoldina Augusta Nunes da Silva, solteira, conforme consta do processo do Imposto Sucessório. Um gesto de grande nobreza na época. 
 O Padre António da Silva Nunes paroquiou Ul durante cerca de vinte e cinco anos, desde 1899 até 18 de Maio de 1924, momento da morte. Completaram-se agora cem anos. Lê-se no auto da morte, assinado pelo Dr. Albino dos Reis, então conservador do Registo Civil, que faleceu de encefalite, aos 59 anos de vida.
 Presidiu à Junta de Paróquia, foi vereador da nossa Câmara e assumiu interinamente, por mais de uma vez, a presidência. O Padre José Agostinho, pessoa bastante doente, foi coadjutor do irmão, exercendo ainda as funções de capelão da Casa do Côvo. Faleceu de hemorragia cerebral aos 65 anos.
Porque a residência de Ul não passava então de um velho pardieiro, adquiriram uma já desaparecida casa no Outeiro do Moinho, onde viveram até à morte.
O Padre José Agostinho morreu de hemorragia cerebral em 16 de Julho de 1915, aos 65 anos de idade, assinando o auto o Dr. António Cardoso de Freitas (irmão do Dr. Ilídio Cardoso de Freitas), então Oficial (hoje Conservador) do Registo Civil. 
Ao Padre António Nunes deve Ul, no foro civil, a conquista de grandes melhoramentos, tais como a construção da estrada desde o Cavalar à Igreja, custeada pelo benemérito Domingos Fontes. Foi ele o promotor do prolongamento da estrada desde a Igreja até Travanca, e, com a ajuda do benemérito Amorim, do troço entre o Pereiro e o Outeiro do Moinho. Quando se disputava encarniçadamente a localização da estação do caminho-de-ferro, aparecendo como fortes candidatos Travanca e Macinhata, foi decisiva a sua influência política, trazendo-a para Ul e “consolando” os adversários com o apeadeiro Travanca/Macinhata.  
Deve-lhe ainda gestos de rara generosidade. Nos tempos da Grande Guerra, de 1914 a 1918, quando a miséria alastrava, o Abade e a irmã Teresa mandaram cozer à sua custa muitas fornadas de boroa para saciar bocas esfomeadas.

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Registe-se que as datas da morte dos dois irmãos estão erradas nas gravações do mausoléu. Tais enganos eram vulgares: analfabetos de todo, os canteiros não entendiam correctamente o que estavam a fazer, limitando-se a gravar - o melhor que sabiam! - os escritos fornecidos.
Assumir a conservação do mausoléu constitui o mais elementar dever de gratidão da Junta de Freguesia.
   

(Escrito de acordo com a anterior ortografia)

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