19 Mar 2026
António Magalhães*
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Timidamente, ter-se-á iniciado em 1922 com o modesto nome de Casa-Escola. “Promoveu-se” a Colégio de Oliveira de Azeméis, designação que o acompanharia até 1971, permitindo a abertura de uma Secção do Liceu Nacional de Aveiro, depois Liceu de Oliveira de Azeméis, ainda Liceu Ferreira de Castro, finalmente Escola Secundária Ferreira de Castro.
Assegurando a frequência do ensino liceal – do 1.º ao 7.º ano - para além do ensino primário, modelares instalações, um selecionado corpo docente, internatos masculino e feminino, a nossa vila conquistava lugar cimeiro na região. Os mais próximos estabelecimentos de ensino liceal situavam-se em Aveiro e no Porto. A frequência ultrapassaria as quatro centenas.
O nosso Colégio foi uma referência, até nós vieram legiões de alunos de todo o país, do Ultramar de então, emigrados na Europa e nas Américas confiaram-lhe os filhos.
Dos tempos da Casa-Escola poucos sobrevivem. Mas muitas as centenas, milhares, que viveram no nosso Colégio, por aqui passaram os melhores e mais distantes anos da vida, que tiveram aqui a sua “alma mater”, que viram germinar, crescer, as raízes de carreiras brilhantes em todas as áreas do saber. Médicos, engenheiros, juristas, professores, economistas, políticos, catedráticos, etc., etc., até sacerdotes que veriam reconvertidas vocações iniciais.
Centenas, milhares, os que não concluíram cursos, entrando mais precocemente no mundo do trabalho, mas aqui se prepararam para as mais diversas actividades, no funcionalismo, na banca, etc., etc., não esquecendo que o Colégio foi também formador de empresários de sucesso, de cida+dãos de mérito.
Centenas os que nos deixaram. Centenas os que, dispersos pelas partidas do mundo, ao passarem pela vetusta construção da Rua de António Alegria, jamais deixaram de sentir a forte emoção da saudade de respeitados mestres, de colegas e amigos de todas as horas, de perfeitos exigentes mas tolerantes, de inúmeras diabruras… brincadeiras quase inocentes se confrontadas com alguns desvarios de hoje.
Rua de António Alegria que, por feliz coincidência, perpetua a memória benemerente do avô materno de D. Maria Adília Alegria Martins de Almeida, saudosa fundadora da “nossa” Casa-Escola, que encontraria no marido António de Almeida o esforço e a determinação para o progressivo sucesso.
Casa – Escola, embrião fecundo, talvez, da sempre saudosa Escola Industrial e Comercial – hoje Escola Soares Basto – da Escola Superior Aveiro Norte, da Escola Superior de Enfermagem, baluartes do progresso da terra e da região.
(Quando a nossa Câmara, proprietária actual do histórico edifício, vai decidir-lhe o futuro, fica aqui este breve bosquejo de um antigo aluno, que, posteriormente, também ali ganhou a vida).
(escrito de acordo com a anterior ortografia)