22 Jan 2026
Henrique Sá Couto*
Homem bom, simples os mais velhos recordar se ao desta personagem das Histórias do Hergé!
Baixote, careca bigode preto, usando fato preto com colete.
Pois eu tive como condiscípulo uma figura assim, bastante mais velho que nós, seus colegas.
Teria vindo de Coimbra onde, a par do Curso de Medicina que frequentava, era funcionário de uma das empresas públicas.
Não contava sequer um dia quando, numa aula, se apagaram subitamente as luzes no anfiteatro.
- Quem apagou? Pergunta, aborrecido, o Professor.
Ouve-se uma voz roufenha com ligeira gaguez: “Foi o c...!!”
O professor ou assistente, de imediato, retorquiu: “Senhor Hipólito ponha -se lá fora!”
Foi, assim, corrido para Lisboa.
Inquiria ele, entrecortando as palavras, com a sua gaguez: - Ainda hoje estou para saber como ele soube que era eu o doutor da frase!?.
Três ou quatro anos mais tarde, o nosso Hipólito já tinha conseguido chegar ao estágio.
Oito horas da manhã. Um Domingo. Eu já a pé e preparando a saída da Urgência. Manhã fria, corredores gelados do Banco do São José:
- Senhor Doutor, venha depressa ao Balcão da Urgência.
Entro e vejo o meu anterior condiscípulo, o nosso Dupont, já cadáver deitado na mesa de observação.
Fiquei Triste.
Ao sair da sala de Observação vejo uma senhora modestamente vestida, inclusive mal agasalhada. Sentada naqueles bancos corridos, sozinha, chorava baixinho…
Seria a agora viúva do nosso Dupont !
* Médico Cirurgião Pediátrico