17 Sep 2026
> Sandra Almeida (CDS-PP)
A Gestão Pública Não Pode Tirar Férias
Uma freguesia não pode simplesmente parar. Há obrigações básicas que não podem ficar suspensas durante semanas, muito menos quando estão em causa a segurança, a limpeza e a qualidade do espaço público. Nos últimos meses, várias Juntas de Freguesia procederam à aplicação de herbicida nas vias públicas. Em muitos locais, era uma intervenção necessária e há muito aguardada. O problema está no que veio depois: a vegetação morreu, secou e ficou exatamente onde estava. Em alguns pontos, os trabalhos começaram ainda em julho, sob temperaturas elevadas. Passou agosto e chegámos a setembro com bermas, valetas e passeios cobertos por ervas secas e castanhas. O serviço ficou, na prática, a meio. Não se trata apenas de uma questão estética. Com as primeiras chuvas, esta matéria acumulada pode dificultar o escoamento das águas, obstruir valetas e sarjetas e contribuir para situações perfeitamente evitáveis. Durante o verão, a mesma vegetação seca representou também um risco acrescido em caso de ignição. Aplicar herbicida e abandonar os resíduos no local não é concluir uma operação de limpeza. É substituir um problema por outro. A gestão pública exige continuidade, planeamento e acompanhamento. Não basta iniciar um trabalho; é preciso terminá-lo. Quando uma intervenção começa em julho e permanece incompleta em setembro, é legítimo questionar a organização, a coordenação e a definição de prioridades. As populações pagam impostos e têm direito a espaços públicos limpos, seguros e cuidados. Não se exige o impossível. Exige-se apenas que aquilo que foi começado seja concluído antes que as chuvas mais fortes transformem uma falha de manutenção num problema maior.
A gestão pública não pode tirar férias das suas responsabilidades.
* Membro AD Pindelo - CDS PP Oliveira de Azeméis