5 Feb 2026
Filipe Rodrigues*
Opinião Política
Nos últimos tempos, o país tem sido duramente atingido por fenómenos climatéricos extremos. Lamentam-se profundamente as vidas perdidas e os inúmeros estragos materiais causados. Às populações afetadas, deixo uma palavra de solidariedade e o desejo de um rápido regresso à normalidade, tranquilidade e segurança.
Mas estes acontecimentos colocam uma questão central. Estamos preparados para enfrentar este tipo de situações?
E quão preparados estamos enquanto território, instituições e poder local?
Tudo indica que estes fenómenos tenderão a manter-se ou agravar-se, o que torna a prevenção, o planeamento e a preparação uma prioridade política e institucional incontornável.
Colocam-se questões objetivas. Que nível real de preparação existe no nosso território? Que planos e instrumentos técnicos sustentam a intervenção? Que responsabilidade assumem a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia? Existe um estudo técnico que identifique zonas críticas e áreas de maior risco?
Se existe, deve ser público. Se não existe, estamos perante um problema estrutural grave de planeamento.
A realidade no terreno é preocupante: ruas degradadas, bermas instáveis, sistemas de drenagem obstruídos, linhas de água sem manutenção, terras desabadas, árvores tombadas, buracos significativos nas estradas. Muitos destes problemas não resultam das últimas tempestades, mas sim da ausência prolongada de manutenção preventiva.
Exemplo disso é a Ponte da Minhoteira, em Pinheiro da Bemposta, sujeita a forte pressão hídrica e acumulação constante de detritos nos pilares. Impõe-se a pergunta. Reúne, hoje, todas as condições de segurança estrutural e operacional?
Com novos alertas de chuva previstos, há riscos evidentes para peões e viaturas. Não deveria o executivo camarário, em articulação com as Juntas de Freguesia, ter equipas permanentes no terreno para identificação, limpeza, desobstrução e mitigação imediata de riscos?
Mais do que discursos, é necessária presença no terreno, diagnóstico real, planeamento estruturado, ação preventiva contínua, manutenção regular e resposta operacional rápida.
A proteção das populações não se faz apenas em contexto de crise.
Faz-se, sobretudo, antes da crise, com planeamento, prevenção, manutenção e responsabilidade política.
* Presidente Concelhia CDS PP Oliveira de Azeméis