29 Jan 2026
Helena Terra*
Opinião
No próximo dia 08 de fevereiro terá lugar a segunda volta das eleições presidenciais. Vieram a público sondagens que dão vitória folgada a António José Seguro e isso poderá levar os eleitores que, na primeira volta votaram em candidatos que já não estão na disputa, a achar que a sua participação neste ato eleitoral é escusada. Eis um equívoco que pode custar um arrependimento sem recuo. O eleitorado que na primeira volta teve uma opção de voto que não contemplou nenhum dos candidatos que passou à segunda volta estará, maioritariamente, persuadido da escolha que, agora, há a fazer e preferirá um humanista, democrata e moderado a um extremista, inconsequente e irracional e isso traduz a tendência de voto maioritária. Mas temos todos de ter a noção que não há vencedores, nem derrotados antecipados. Não são as sondagens, nem as tendências de voto que elegem um presidente da República. Só os votos depositados nas urnas podem determinar as opções dos eleitores, mesmo que possamos antecipar quais são. O que está em causa para o nosso futuro coletivo e muito e demasiado importante para que os eleitores se possam demitir do exercício de um direito que a democracia consagrou – o direito de voto. O futuro é sempre incerto, mas nunca como agora, na era democrática, o nosso futuro foi tão incerto e imprevisível. Portugal necessita de consolidar a democracia que há 51 anos conquistou. Precisa de garantir um futuro condigno para todos. Os nossos jovens têm de ter condições para se fixar no nosso país e se poderem autonomizar economicamente da geração que os antecedeu. Os nossos idosos precisam de ter um Estado solidário que possa sobrestar quando a família falha ou não existe, um estado que se mostre reconhecido por tudo quanto eles construíram numa vida inteira de trabalho árduo que nos conduziu até aqui. Para isso precisamos de um Presidente da República que conheça, que defenda e que pratique as regras do nosso sistema democrático assente na nossa lei fundamental. Portugal necessita de se afirmar no contexto europeu e, para isso necessita na presidência de um europeísta convicto e conhecedor das suas instâncias de poder e decisão. Portugal precisa de ser respeitado num mundo em grande ebulição e para isso precisa de ter um Presidente que respeita a soberania dos outros Estados e exige o respeito pelo seu. Um Presidente que não tenha amarras a nenhum dos atuais líderes mundiais. Tenho a noção que a maioria dos eleitores não tem dúvidas disto, mas são estes eleitores que não podem faltar na ida às urnas. Levada de vencida a batalha da persuasão é necessário bater os recordes de participação. Não podemos correr riscos de arrependimento!
*Advogada