22 Jan 2026
Manuel Almeida*
Opinião Política
Os resultados em Oliveira de Azeméis confirmam aquilo que o regime insiste em negar: André
Ventura consolidou um núcleo eleitoral sólido, fiel e politicamente determinado, que resiste à pressão mediática, ao cerco institucional e à demonização permanente promovida pelo bloco central. Embora esse apoio ainda não se tenha traduzido numa vitória formal, nem a nível concelhio nem nacional, o candidato do CHEGA afirma-se, sem margem para dúvidas, como a única alternativa real ao sistema político esgotado que governa Portugal há décadas. Ventura deixou de ser um incómodo passageiro para o regime e passou a ser um factor estrutural da política nacional, capaz de desafiar frontalmente a hegemonia do PS e do PSD. Na segunda volta, a direita tradicional, fraca, fragmentada e moralmente rendida, enfrenta uma escolha clara: apoiar o verdadeiro líder da direita portuguesa ou, uma vez mais, dar as mãos ao socialista António José Seguro, traindo os seus eleitores e perpetuando a farsa do bloco central.
A noite eleitoral expôs também derrotas políticas claras e humilhantes. Luís Marques Mendes e Gouveia e Melo, ambos promovidos por sectores do PSD e do CDS como soluções “seguras” e “responsáveis”, falharam rotundamente a tentativa de se afirmarem como referências da direita moderada. Estes resultados confirmam aquilo que os portugueses já perceberam: esses partidos perderam identidade, coragem e ligação ao país real. Cotrim de Figueiredo, apoiado
pela Iniciativa Liberal e por figuras do PSD, demonstrou igualmente que o projecto liberal vive fechado numa bolha mediática e urbana, incapaz de mobilizar o eleitorado popular ou de disputar eleições nacionais com impacto real.
À esquerda, o cenário é ainda mais revelador do colapso do sistema. Os candidatos da extrema-esquerda, sustentados por aparelhos partidários dependentes do Estado, obtiveram resultados residuais, confirmando a irrelevância crescente de forças políticas desligadas da realidade social e económica do país. Mais uma vez, ficaram fora do debate presidencial, sem influência e sem expressão, reduzidos a notas de rodapé eleitorais. Este panorama confirma o esgotamento total do discurso ideológico do regime, alimentado durante anos pelo bloco
central, e evidencia uma mudança profunda no eleitorado português, cada vez mais cansado de promessas vazias, de conivências partidárias e de uma elite política que governa para si própria e não para o povo.
*Presidente da Comissão Política Concelhia do partido CHEGA