26 Feb 2026
Manuel Almeida*
Opinião Política > Manuel Almeida
Na última reunião de Câmara, a maioria socialista aprovou o mapa de desempenho orçamental de 2025 e a incorporação do saldo de gerência no orçamento de 2026. Falamos de 57 milhões
de euros que, à primeira vista, poderiam ser celebrados como uma boa notícia. Mas a realidade é bem diferente: estamos perante mais um exemplo de gestão improvisada, típica de uma maioria que improvisa em vez de planear, corrigindo erros passados com recursos que poderiam ter sido aplicados de forma estratégica.
Dos 57 milhões, quase 39% destinam-se a despesa corrente: pessoal, contratos, eventos, publicidade, refeições e horas extraordinárias. Só o reforço de pessoal representa 8,6 milhões de euros. Pergunta-se: serão novos funcionários ou assessores para o gabinete da presidência? E qual o impacto destes encargos nos próximos 10 ou 15 anos, quando estas despesas se tornarem permanentes?
O investimento em infraestruturas absorve mais de metade do montante, o que à primeira vista parece positivo. Mas quantas destas obras já estavam previstas em orçamentos anteriores e foram sucessivamente adiadas? Estamos a pagar agora por promessas incumpridas, corrigindo falhas anteriores com dinheiro que poderia ter servido para reduzir dívida, criar reservas ou aliviar fiscalmente famílias e empresas.
O planeamento inicial é inexistente. Um orçamento de 73,3 milhões aprovado em dezembro e, apenas dois meses depois, acrescido de 57 milhões, o que significa quase 80% de aumento.
Isto não é gestão, é improviso. Não existem reservas para calamidades, nem estratégia de redução da dívida, nem políticas de alívio fiscal para os munícipes. Só aumento de despesas correntes, tendencialmente permanentes, sem critério nem visão de futuro.
Os oliveirenses não querem mais despesa; exigem melhor gestão. Querem transparência, responsabilidade e prioridades reais. Este saldo de gerência não é solução; é um “tapete mágico” para esconder falhas de planeamento. O concelho precisa de rigor, não de improvisos;
de estratégia, não de números que impressionam, mas não resolvem problemas concretos.
*Presidente da Comissão Política Concelhia do partido CHEGA