11 Jul 2023
Eduardo Costa *
Corrupção na “Defesa”, com membro do governo arguido e vários responsáveis.
Apesar de ser mais um triste caso de corrupção - só mais um…- , vale a pena recordar que o relatório da “Transparência Internacional” de 2021 já pedia a intervenção urgente da Assembleia da República de Portugal na fiscalização do setor da defesa.
Não tenho memória de ver os políticos eleitos, da direita à esquerda, colocar esta recomendação na sua agenda de prioridades.
Por isso, questiono se devem os políticos dizerem-se escandalizados ou surpreendidos. Pura hipocrisia?
Foi em 2022 que o ‘Eurobarómetro’ concluiu que 86% dos portugueses concordaram com a ideia de existência de corrupção nas instituições públicas nacionais (enquanto na média europeia as respostas apontaram para 74%).
Quanto custo aos portugueses a corrupção? Estima-se que a corrupção custe cerca de 20 mil milhões de euros por ano, cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB)! Dá que pensar…
Lembram-se do célebre questionário que ficaram obrigados a preencher os candidatos a cargos de governo? Apresentada como uma solução para combater a corrupção, ao que se vê de pouco ou nada serviu.
A corrupção mina a democracia. Coloca em perigo o sistema democrático, pela desconfiança generalizada em governantes e na classe política em geral. Afasta os melhores do exercício da nobre função de governar.
O tema combate à corrupção na gestão de dinheiros públicos tem que ser levada muito mais a sério, por toda a classe política. E os portugueses têm que dar mais atenção a este triste fenómeno na hora de votar.
*Jornalista, presidente da Associação Nacional da Imprensa Regional