10 Jul 2026
A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis publicou a fotografia sem texto. E, neste caso, talvez nem fosse preciso muito mais: caixas de cartão acumuladas junto aos ecopontos, várias no chão, algumas dobradas, outras nem por isso, num daqueles cenários que já começam a ser demasiado familiares.
Há muito que a autarquia vai fazendo publicações deste género, quase sempre em tom de apelo ao civismo. Desta vez, dispensou palavras. A imagem faz o serviço, mas também abriu espaço à crítica. Entre os comentários, lia-se que a própria fotografia era “bem explícita”: o cartão pendurado no contentor mostraria que o papelão não foi despejado a tempo e horas, embora isso não desculpe o cartão deixado no chão.
E é aí que está o ponto: há duas responsabilidades que podem existir ao mesmo tempo. Se o contentor está cheio, a recolha tem de acompanhar. Mas deixar o cartão no passeio também não passa a ser reciclagem por estar perto do ecoponto. É lixo fora do sítio.
O cartão tem ecoponto próprio, mas também tem regras básicas: deve ser espalmado, colocado no local certo e, se o equipamento estiver cheio, a solução não é transformar o passeio em armazém improvisado.
A Câmara ficou calada na legenda. O lixo, esse, falou alto.