Quando o momento surge

Opinião

> Ricardo Bastos

Esta crónica é, há um ano, a partilha de estados de alma, de paixões e convicções.
Hoje apetece-me falar de futebol. Ou melhor, de protagonistas de futebol e de, entre estes, dos “suplentes” em particular. Apetece-me falar de Juary e Mantorras. Para os mais esquecidos, Juary era um jogador do Futebol Clube do Porto que nunca ou raramente entrava de início, fazia parte de um plantel fabuloso que ganhou tudo. Na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, entrou na segunda parte, quando o Porto perdia, fez a assistência para o Madjer marcar de calcanhar e pouco depois fez o golo que deu o troféu ao Porto. Mantorras era um jogador valiosíssimo que fazia parte de um outro plantel, o do Sport Lisboa e Benfica que, no início do século XXI, tentava combater a hegemonia do Porto. Mantorras nem sempre entrava pois estava reservado para quando os jogos estavam mais complicados. A verdade é que o Mantorras, quase sempre suplente, bastava levantar-se para o aquecimento que o entusiasmo dos adeptos se assemelhava quase a um golo de facto.
Ambos eram suplentes, ambos estavam em equipas de topo, vencedoras. Ambos tinham de ser jogadores de eleição para estarem ali. Ambos deixavam a sua marca assim que entravam em campo. Ser suplente é isso, é todos os dias dar o seu melhor, estar preparado porque a qualquer momento a equipa pode precisar. Aliás, nenhuma equipa tem hipótese nem faz bom trabalho se a retaguarda não estiver bem salvaguardada, se todos os seus elementos não estiverem alinhados e focados nos objectivos, nos valores, nas convicções e na procura de resultados.
É assim no futebol, é seguramente assim na vida e em todas as suas vertentes, pois nunca sabemos quando chega a hora.
Estamos juntos.


 

 

 

 

 

 

Ricardo Bastos, Organizador das ‘Corridas Solidárias’

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