28 May 2026
Destaques Opinião Pensamento Livre
Ricardo Bastos*
Olho... Olho... E quanto mais olho mais penso. Olho e não vejo. Na maior parte das vezes quanto mais olho menos vejo, até. Melhor, menos quero ver. Na verdade, quanto mais olho e penso, o que realmente acontece é que mais sinto...
A nossa terra está situada estrategicamente de tal forma que quase todo o norte aqui passa. Somos local de passagem, todos os anos e ao longo de vários meses, de milhares de pessoas. Neste mês de Maio, olho para as nossas estradas e os coletes amarelos, laranja, rosas ou verdes, todos eles bem fluorescentes, sinalizam pessoas individuais, em grupos pequenos ou enormes. Mas sinalizam sempre pessoas.
Desde 1917 que a partir do “milagre do sol” a 13 de outubro na Cova de Iria que todos os anos, de Maio a outubro, com maior incidência em Maio, o País se faz Peregrino. O País mete os pés à estrada, mete a Nossa Senhora no pensamento, nas orações e no coração de cada pessoa e à sua maneira ela vai; vai agradecer, vai pedir, vai buscar forças, vai por todos os motivos que queiramos imaginar, mas vai.
Vai de tal forma que nos deixa perplexos, por vezes. Não entendemos e quantas vezes até questionamos se Nossa Senhora de Fátima aprova tal coisa.
Não, aquelas pessoas, aquele meio milhão de pessoas, não é louco nem alienado, não estão senis nem precisam de tratamento. Aquelas pessoas são movidas a um combustível pouco convencional. É um combustível e uma energia raras. Vem cá de dentro, vem do coração, vem da alma, vem de algo poderoso que se chama Fé. Vão buscar forças, ânimo e tanta alegria às doenças, vão buscar tudo isto ao amor, à crença, ao que de mais genuíno encontram no seu próprio íntimo. Os loucos, os doidos, malucos não se comportam assim.
Todos os anos me pergunto: Quanto bem esta Mãe não terá feito para merecer tal agradecimento?...
O meu enorme respeito por todas estas pessoas que ao longo de tantos dias atravessam o País para irem a Fátima dar um abraço à Mãe e trazem no coração energia para o ano todo, para a vida toda.
No exacto momento em que estão a ler isto, eu mesmo, em conjunto com mais amigos das Corridas Solidárias estaremos a correr, caminhar, gatinhar ou rastejar de Fátima até Oliveira de Azeméis. Trazemos no coração a alegria de Fátima para a nossa terra.
Estamos juntos.
* Organizador das ‘Corridas Solidárias’