Rankings de exames

PCP

Vítor Januário *

A exaltação dos designados “rankings das escolas” resulta de razões que se submetem a propósitos óbvios ou, por vezes, velados. Assim, a pressa em afirmar o que melhor se adequa a uma intenção leva a que se usem, de forma conveniente, resultados alcançados com esforço pelos jovens de diferentes idades. Esta facilidade com que se faz a apropriação de classificações obtidas com o contributo de todos os que estão implicados no ato educativo dentro de uma comunidade, ou seja, alunos e professores, bem como encarregados de educação, técnicos especializados e assistentes operacionais , conflitua com os objetivos da educação inclusiva e garantida universalmente. De facto, coloca-se também a escola no mercado  da competição, sendo este enviesamento da análise de clara desvantagem para a oferta pública, que, contrariamente à de tipo privado, permite acesso universal de forma gratuita. Esta é uma das razões que deve levar ao abandono da prática iníqua de criar pódios e, consequentemente, gerar rejeições (filhos e enjeitados) , visto que se torna critério de escolha para famílias mais capacitadas financeiramente, estigmatiza comunidades, agrava contextos socioeconómicos deprimidos e aprofunda desigualdades. 
Todas as escolas do concelho de Oliveira de Azeméis são, certamente, merecedoras de reconhecimento pelo empenho dos seus profissionais, que deve ser amplamente recompensado com políticas educativas que melhorem as suas condições de trabalho e valorizem os seus percursos laborais, exercendo-se com infraestruturas, recursos e serviços promotores do sucesso educativo . Trata-se de um setor fundamental do Estado, provando contribuir decisivamente para garantir  mais coesão social, quando, por exemplo, apesar das contrariedades de uma pandemia ou de desconsideração governamental por reivindicações  amplamente entendidas como justas, se assume responsavelmente o papel de educar .
Só por razões ideológicas ou tentação de gosto liberal se pode politicamente sublimar o desfile de notas obtidas nas provas finais e exames nacionais. Naturalmente, docentes e alunos das escolas do concelho estão de parabéns por se ter cumprido o propósito de garantir acesso ao currículo com aquisição das aprendizagens, ora de um modo mais evidente, ora com mais dificuldade. No entanto, há, antes do momento examinado e durante a sua realização, muitos fatores que não se compadecem com o injusto papel de decisão percentual, podendo até incluir-se a prova, mas também o meio social, económico e afetivo. 
Só a propositada distração política pode ignorar a complexidade de variantes que estão implicadas numa classificação, deixando-nos apreensões acrescidas sobre decisões que possam resultar do processo de transferência de competências para a autarquia.
* Membro da  Comissão Concelhia do PCP

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