17 Sep 2026
> Helena Terra
A Europa como a conhecemos depois da II guerra mundial, ou melhor, depois da reconstrução dela resultante, pode estar em perigo e está neste momento a sofrer fortes ameaças.
A Alemanha que não tem eleições nacionais ou estaduais este ano, tem, contudo, eleições regionais de extrema importância e que podem ditar o destino do que serão os resultados eleitorais nacionais. Já se realizaram e já são conhecidos os resultados eleitorais nas eleições regionais da Saxónia. A extrema-direita venceu estas eleições regionais. Os resultados na Saxónia-Anhalt vieram confirmar a tendência que há algum tempo se fazia sentir na Alemanha, a AfD (partido de extrema-direita) obteve 43,8% dos votos, ficando muitíssimo perto da maioria absoluta no parlamento regional. Só precisava de mais três eleitos para o efeito.
Depois destas realizar-se-ão ainda eleições regionais em MecKlembrugo, Pomerâmia Ocidental e Berlim. Nestas eleições, além daquilo que são as previsões das sondagens e dos estudos de eleitorado já conhecidos, pode verificar-se o efeito de “contagio” ou “arrastão”.
Na noite de apuramento eleitoral na Saxónia, totalmente eufórico, Ulrich Siegmund que é o candidato a primeiro-ministro da AfD (partido de extrema-direita) nas eleições estaduais, afirmou que a noite era “histórica” e que “é apenas o início de uma nova Alemanha.” O atual chefe de governo da Alemanha, chanceler Friedrich Merz já foi posto entre a espada e a parede porque no AfD já há quem peça eleições antecipadas.
Poder-se-á pensar que a Alemanha fica longe deste nosso Portugal, mas o mundo e sobretudo a europa, no que toca à geopolítica, é do tamanho de uma ervilha.
Em abril do próximo ano, terá lugar a primeira volta das eleições presidenciais em França e, apesar de estar a braços com a Justiça, já sede de recurso após ter sido condenada em primeira instância por corrupção, (acusada de desviar fundos europeus do parlamento para pagar a assessores do seu partido), Marine Le Pen lidera as sondagens com 34% das intenções de voto na primeira volta.
Por cá, uma sondagem levada a cabo pela Pitagórica e conhecida há dias, prevê uma queda da coligação que governa o país do atual primeiro para o terceiro lugar. Sendo públicos os seguintes resultados:
O PS de José Luís Carneiro em primeiro (27,9%), mas apenas oito décimas acima do Chega de André Ventura (27,1%), e a AD do primeiro-ministro Luís Montenegro a cair (25,7%). Ora, considerada a margem de erro da dita sondagem, em bom rigor estes três partidos estariam em empate técnico.
O cenário que se vive por cá é de grande fragmentação, fazendo antever grande instabilidade nos próximos tempos.
Sabemos que o líder de um destes partidos que forma este trio é capaz dos maiores “golpes de rins”. Apresentou uma moção de censura sem querer que o governo caísse. Apela a um PSD que ouça o outro PSD, sendo de lá que o próprio veio… enfim, parece uma caricatura, eu sei. Contudo, apesar de não ser normal, esta é a realidade que temos.
* Advogada