Roubos em cemitérios abrem debate sobre responsabilidade do recinto

Concelho

Vaga de furtos obrigará a novas normas de funcionamento nos cemitérios da União de Freguesias de Oliveira de Azeméis

>Segurança em Xeque

A crescente vaga de furtos que tem assolado os cemitérios da União das Freguesias de Oliveira de Azeméis, Santiago de Riba-Ul, Ul, Macinhata da Seixa e Madail deixou de ser apenas um caso de polícia para se tornar num foco de tensão social.

A questão é sobre como se deve, afinal, garantir a integridade destes espaços sagrados.
No centro da questão encontra-se a questão da responsabilidade da entidade gestora. Eleitos da AD na assembleia de freguesia têm levantado a voz para defender que a junta de freguesia, enquanto detentora da posse e gestão dos recintos, não pode ser uma mera espectadora dos acontecimentos. Segundo estes representantes, cabe à autarquia zelar pela segurança e manutenção rigorosa dos espaços, uma vez que os cidadãos depositam ali não apenas bens materiais, mas a memória dos seus entes queridos.
Maritza Valente, eleita da AD no órgão deliberativo, foi ela própria vítima desta onda de criminalidade, e critica severamente a atual facilidade de acesso aos recintos. O argumento é claro: o facto de os portões permanecerem "sempre abertos", inclusive durante o período noturno, constitui uma falha grave na gestão do espaço e um convite à atuação dos amigos do alheio. “Levar 52 lanternas teria sido mais difícil se o portão não estivesse aberto”, sublinha.
António João Santos, líder da oposição na assembleia de freguesia, enfatiza que medidas simples como o cumprimento de horários de abertura e fecho, ou a escolha de materiais menos apetecíveis para o furto, poderiam ter mitigado o impacto deste "roubo nacional" que parece ser tudo menos um ato isolado ou de ocasião.
Para António Vitorino Coelho, eleito pelo Chega à Assembleia de Freguesia, defende que a solução passa pela tecnologia e pelo reforço humano. Propõe a instalação de câmaras de videovigilância, argumentando que o investimento não é proibitivo e que o seu caráter dissuasor é fundamental para que as pessoas não se sintam sozinhas em locais que já são, por natureza, de pouca passagem. Sugere ainda a colocação de um funcionário em cada cemitério e o cumprimento rigoroso do fecho dos espaços a "tempo e horas", coincidindo com o movimento nas ruas.


A resposta do executivo: Logística e soluções em vista
Fátima Ferreira, presidente da União de Freguesias, não nega a gravidade do cenário, descrevendo os incidentes como uma situação generalizada que afeta várias freguesias do concelho. No entanto, a autarca sublinha que a solução para a segurança não é tão imediata como o desejado. 
O principal entrave, refere, prende-se com a logística necessária para garantir o fecho diário dos portões. No caso de Oliveira de Azeméis, a tutela pertence à câmara municipal, mas nos casos de Santiago de Riba Ul, Madaíl e Macinhata a autarca diz que já haverá pessoas ligadas às paróquias que irão tentar assegurar a tarefa. O caso é mais complicado em Ul, onde ainda não ‘apareceu’ ninguém.
Apesar dos obstáculos, a presidente assegura que o executivo está a trabalhar em medidas concretas. Já foram preparadas placas informativas com novos regulamentos de horário para serem afixadas. Relativamente às queixas, a junta afirma estar a recolher as informações dos proprietários das campas para as encaminhar formalmente às autoridades, tentando responder à necessidade de centralização do processo.
 

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