23 Jul 2026
> Helena Terra
Hoje, ninguém vive sem redes sociais. Eu própria não vivo, e o mesmo se aplica à esmagadora maioria das pessoas empresas e profissionais. O Facebook, o Instagram, o LinkedIn, o TikTok, o X – há muito deixaram de ser plataformas de passatempo para se tornarem parte integrante do modo como comunicamos, trabalhamos, fazemos publicidade, marketing ou propaganda política e até serve para comprarmos produtos os contratarmos serviços.
As redes sociais, como plataformas de vendas de produtos ou serviços, como existem e na larga maioria dos casos, não cumprem o regime legal do comércio eletrónico, quer quanto ao enquadramento comercial, contabilístico e fiscal, mas continuam a existir e a aumentar exponencialmente.
Hoje, quantas vezes, em vez de falarmos uns com os outros, em vez de nos organizarmos enquanto sociedade física com direitos e deveres, abrimos fóruns de conversa, nem sempre com os interlocutores melhor posicionados para que a discussão ganhe dimensão, receba contributos diversos de gente que tem visões divergentes ou convergentes, fruto de experiências de vida, necessariamente diferentes.
Quando um tema com importância é levado às redes sociais, com facilidade aparece a ignorância que é, pela sua própria natureza, atrevida e transforma uma “tertúlia” mediada pelo ecrã e não necessariamente síncrona, numa torrente de impropérios e, não raras vezes, de insultos gratuitos de gente que usa estes meios para “vomitar” o fel fétido que lhes corre nas veias e tolhe a mente.
Eu própria já fiz a experiência na mais “proletária” de todas as redes sociais, o FB, de lançar alguns temas importantes, em posts da minha autoria. O resultado é, normalmente, desolador. Tem uns poucos likes e alguns poucos comentários e destes, a maioria são emojis. Mas se eu fizer um post soft com umas fotos de Natureza e umas frases algo poéticas, são muito mais visualizados que um qualquer assunto dito sério.
Algumas vezes dou por mim, quando estou em situações de “queimar tempo”, nos meus momentos profissionais de espera em instituições que respeitam muito pouco o tempo dos outros, a ver “postagens” de gente que agora, modernamente, no seu perfil usa uma foto da IA. Falo de gente que conheço -será por terem vergonha ou não gostarem da sua própria cara? Será para dar ares de modernidade e de infoinclusão? Ainda não descobri, mas confesso que perco a vontade de ler o que lá esteja, ainda que possa ser interessante, simplesmente porque tenho dificuldade de lidar com as faltas de identidade.
Há ainda uma outra modalidade. A das redes sociais transformadas em “esgoto a céu aberto”, a coberto da democracia e da liberdade de expressão que parece que normalizaram um conjunto de comportamentos que são tudo menos democráticos ou normais e que, no mínimo, apenas merecem uma apreciação - visto e ignorado com sucesso!
* Advogada