29 Jan 2024
Nélson Alves *
Quando foi anunciado que o Governo liderado por António Costa iria injetar 3 ou 4 mil milhões de euros para “salvar” e nacionalizar a TAP, nós ainda estávamos em plena pandemia, e se calhar por isso, quase ninguém se revoltou em Portugal com essa decisão.
Quando a preocupação maior era, para quem ia trabalhar, em não apanhar o “bicho” da COVID-19, acredito que ninguém pensava muito se ia apanhar um avião nos próximos tempos. No entanto, já naquela altura, a Iniciativa Liberal criticou a decisão e, aquando das eleições legislativas de Janeiro de 2022, o anterior líder do partido, João Cotrim de Figueiredo falou alto e a bom som: “nem mais um cêntimo para a TAP!”, ficando naquela altura o então deputado único do partido sozinho no parlamento, a ver Rui Rio e André Ventura a apoiar aquela medida do governo socialista com a ajuda dos restantes partidos de esquerda.
Na nossa região, há muitas pessoas que, tal como eu, têm de se deslocar frequentemente até ao Porto em trabalho. Quando estou na zona do aeroporto, por vezes fico a observar os aviões a levantar vôo e outros a chegar, e é raro ver um avião da TAP. Na minha vida toda, raramente viajei de avião, mas conheço várias pessoas que até viajam várias vezes ao longo do ano e que raramente usam os serviços da “Companhia Aérea Nacional” ou da “Companhia de Bandeira”, se o caro leitor preferir.
Nem para ir a Paris ou Londres, nem para ir a Barcelona, nem para ir às Caraíbas. Conheço pessoas que têm de ir a Caracas ou ao Brasil, mas que também raramente usam os serviços da TAP. Talvez o problema seja meu, mas de facto, saíram dos bolsos de cada contribuinte cerca de 400 euros que, diga-se o que disser, não foram bem investidos.
Recentemente, em entrevista na televisão, o candidato da Iniciativa Liberal por Aveiro, Mário Amorim Lopes, perguntou ao representante socialista e à representante bloquista, a propósito da privatização da Alitália: “Mas os italianos continuam a voar, não continuam?”, tendo o candidato ficado sem resposta. Não há muitos argumentos a favor da decisão tomada, mas mesmo assim só os liberais foram, desde o primeiro instante, contra o esbanjar de dinheiros públicos que foi feito na TAP.
Posso estar errado, mas não acredito que haja muitas pessoas na nossa cidade a usarem regularmente os serviços da TAP ou que beneficiem de forma direta dos seus serviços. Mas já que o cabeça de lista do Partido Socialista por Aveiro até é Pedro Nuno Santos, deixo o desafio a todos os eleitores: a 10 de Março, pense bem, pense no seu bolso, e pense se as decisões deste candidato, enquanto ministro, ajudaram a nossa região.
* Candidato da IL de Oliveira de Azeméis pelo círculo de Aveiro nas Eleições Legislativas 2024