7 Jan 2026
Samuel de Bastos Oliveira apresentou o 14.º número da revista 'Terras Entre Douro e Vouga',
>Publicacão da Casa Museu Regional de Oliveira de Azeméis chega à 14.ª edição
A Casa Museu Regional de Oliveira de Azeméis apresentou a 14.ª edição da revista “Terras Entre Douro e Vouga”, uma publicação anual dedicada à história, património e identidade cultural da região. A sessão foi conduzida por Samuel de Bastos Oliveira, que sublinhou a importância da memória histórica e da cultura no desenvolvimento do concelho.
O novo volume da revista ‘Terras Entre Douro e Vouga’ já está disponível: Com 331 páginas, a publicação mantém a periodicidade anual e reúne contributos de investigadores, professores, escritores e historiadores, abordando temas ligados à história religiosa, civil e cultural de diferentes freguesias e concelhos da região.
Durante a sessão de apresentação do número 14, Rui Luzes Cabral, presidente da Assembleia Geral da Casa Museu Regional de Oliveira de Azeméis e vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, sublinhou a importância do conhecimento histórico como base do desenvolvimento das comunidades. O autarca destacou o papel da cultura na construção da identidade coletiva e no reforço do sentimento de pertença, defendendo que o investimento na memória e no saber é essencial para projetar o futuro do concelho.
A apresentação ficou ainda marcada por uma intervenção extensa e profundamente reflexiva de Samuel de Bastos Oliveira, presidente da Casa Museu Regional, que fez um balanço do percurso da revista, alertou para os riscos da desvalorização cultural e deixou um apelo claro à participação das novas gerações na defesa do património histórico e cultural. As palavras do dirigente serviram de fio condutor para uma reflexão mais ampla sobre o papel da investigação, da escrita da História e da responsabilidade coletiva na preservação da memória regional:
Uma revista que não é “uma qualquer”
“Esta revista não é minha, nem é da direção. Esta revista é dos colaboradores, daqueles que, com generosidade e sabedoria, ao longo dos anos, têm atendido aos apelos da Casa Museu. É uma revista que devia ser mais prezada pelos oliveirenses, porque não conheço, nesta região, outra publicação cultural com esta dimensão e com esta qualidade.”
A ausência dos mais jovens
“O que me preocupa, sinceramente, é não ver aqui os jovens oliveirenses. A cultura precisa de gente nova, com vontade, com garra, que continue este trabalho. Nós já estamos velhos, eu tenho 93 anos, e é preciso que apareça quem pegue nisto e leve isto para a frente. A cultura não se faz sozinha.”
História exige rigor
“Hoje faz-se muita ‘historieta’ e pouca História verdadeira. Uma monografia não são duas páginas com fotografias e conversa de café. A História faz-se com investigação, faz-se com documentação, faz-se com seriedade. Ainda há pessoas que sabem História nesta terra, e é a essas pessoas que esta revista se dirige.”
Cultura como fundamento
“Não há progresso sem cultura. A cultura é a base da civilização, da educação e do desenvolvimento de um concelho. Quem não conhece o seu passado dificilmente consegue construir um futuro com identidade. Esta revista existe precisamente para isso.”
Um trabalho coletivo
“Se não fossem os investigadores e os autores que escrevem para esta revista, não conseguiríamos reunir todo este saber. Isto é um trabalho coletivo, feito com muito esforço. É fundamental que esta publicação continue e que seja valorizada.”
Memória e identidade
“Apagar a História seria como perder a memória. Uma comunidade sem memória fica desorientada, sem saber quem é. Conhecer a nossa História é essencial para sabermos para onde vamos. Esta revista cresce devagar, mas é assim que se constroem coisas duradouras.”