Furadouro ! (parte dois)

Opinião

> Carlos Cunha

(Continuação da edição anterior)
* da marginal com as vivendas com traço de arquitectos, com destaque para uma toda de granito cinzento. Não sabia, então, que tal casa fora o refúgio e porto de abrigo de muitos resistentes antifascistas por mercê do arquitecto Aristeu Ravásio Gonçalves (de S. Martinho da Gândara);
*  do Hotel Mar e Sol, apenas olhado de longe;
*  das bicicletas e triciclos alugados por 15 ou 30 minutos para umas voltinhas na avenida;
* das tascas e das mercearias, como a Casa Delmar, onde se abria um fólio de fiado para compra de víveres desde que com fiador;
* do Pinovai, santuário das caldeiradas sobretudo das de enguias;
* das idas a pé ou à boleia, sempre que o tempo fazia caretas, até ao Carregal e, sobretudo, ao Areinho;
* do Café Náutico e do aristocrata Café e Restaurante Progresso (com os seus concorridos bailes de sábado à noite e domingos à tarde);
*  das voltas e mais voltas na avenida, o “picadeiro”, já noite e depois de banho ‘tira-salmoura’ tomado, onde se ia para ver e ser visto;
* das voltas até lá cima, até lá abaixo, ao som das sonoridades de músicas e canções da época, românticas umas, mais agitadas outras, sem esquecer que a passagem de um disco do conjunto Oliveira Muge na amplificação sonora representava um ‘alto e para tudo !’ e intuía-se o derreter de muitos corações;
* Das idas à barraca dos chocolates  Regina – para os mais afortunados – como fim de festa e de dia. Furar uma placa com pontos pretos e ter de volta um chocolate de acordo com a cor da bolinha que caía na base. Ah! E havia quem se plantasse próximo aguardando que a placa de furos estivesse quase no fim para então investir com vista ao prémio final: uma tablete de superior qualidade.
O verão estava no ocaso. O regresso ao trabalho, às escolas, estava próximo. Em outubro viriam algumas famílias de lavradores, depois de colheitas feitas.
Termino este apontamento socorrendo-me das palavras do companheiro Júlio Pinto: “A nossa infância e adolescência são sempre espaços de difícil revistação. Nós estivemos lá, mas dificilmente a memória nos devolve, intacta, a espuma dos dias que foram.”

* Colaborador
 

Partilhar nas redes sociais

Comente Aqui!









Últimas Notícias
Atividades são gratuitas > Arcavitae leva experiências de bem-estar a vários espaços de Oliveira de Azeméis
17/09/2026
Escola Livre recebe dois dias de testes de patinagem artística
17/09/2026
AD pressiona Câmara sobre escolas que continuam à espera de obras
17/09/2026
Parque Urbano de Oliveira de Azeméis deverá ficar disponível em 2027
17/09/2026
Oliveira de Azeméis continua sem previsões para um ecocentro municipal
17/09/2026
CHEGA quer saber quantas chamadas para recolha de monos ficam por atender
17/09/2026
Setembrinas juntam coletividades em dois dias de festa
17/09/2026
Desfolhada à Moda Antiga mantém tradição viva
17/09/2026