Em
Correio de Azeméis

15 Sep 2022

Trabalhar Para Mudar

Bloco de Esquerda

Simão Magalhães *

Na semana passada, António Costa apresentou-nos o “maior pacote de sempre”, assim anunciado nos meios de comunicação social. Muita expetativa, parco aproveitamento. Um lembrete útil de que o maior nem sempre faz jus de si próprio.

Analisando as medidas apresentadas pelo Governo, temos logo uma certeza. Trata-se de um conjunto de medidas ineficazes, tardias, mas de um ótimo plano estratégico para as próximas eleições. A ideia é simples: impor as medidas do centrão não resolve os problemas, mas permite que permaneça no ar a triste possibilidade de irromper um governo de direita no futuro. Esta ideia foi-lhes, aliás, decisivamente útil nas últimas eleições.
Porém, a ver bem, o que nos oferece esta maioria absoluta? Três movimentos de ilusionismo governativo.
Proclama-se a redução do IVA da eletricidade para 6%. Sem cartola, o coelho não sai. Sabemos que a redução apenas se aplica aos primeiros 100kWh, valor que já era de 13%. A quase totalidade das contas mensais mantém-se taxada a 23%. 
Proclama-se um apoio extraordinário de 125€. Sem a varinha, o feitiço não se faz. Sabemos que isso corresponde apenas a uma parcela mínima do valor do salário perdido com a inflação.
Proclama-se um aumento - o maior de sempre - aos pensionistas. Felizardos contemplados da benevolência estatal. Mas aqui a magia é bem mais complexa, de fazer inveja a qualquer fantasia com dragões e elfos. As pensões, que seriam atualizadas em janeiro de 2023, por regra e de acordo o crescimento do PIB e a inflação, iriam sofrer um aumento entre os 7,1% e os 8%. Esse aumento foi substituído por um aumento entre os 3,5 e os 4,5%, ainda este ano. Essa escolha penaliza os pensionistas já no decorrer do próximo ano, mas interfere também com as atualizações futuras, que serão sempre menores do que estavam previstas. O PS não deu um aumento, deu um adiantamento, cujos juros irão ser pagos continuamente, ao longo da vida, pelos pensionistas. 
Pelo caminho, decidiram não controlar preços, não taxar os lucros abusivos e não aumentar os salários. Uma escolha que, no futuro, não os diferenciará muito da direita, para quem o Estado Social é descartável e que veem nos mercados a solução milagrosa para os problemas. 
Infelizmente, sabemos quem sai penalizado com estas políticas. À esquerda, continuaremos fiéis aos princípios, os mesmos que devolveram direitos durante a Geringonça, e que querem colocar o dinheiro na mesa de quem trabalha.
 * Representante do Bloco de Esquerda

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