Pedro Lima (à esquerda) é o compositor dos temas e Bruno Costa o maestro da Banda Musical de Fajões
>Banda Musical de Fajões estreia criação no âmbito das comemorações do 50.º aniversário do 25 de Abril
A Banda Musical de Fajões apresentou no TeMA, em Oliveira de Azeméis, o espetáculo “Tumor”, uma obra encenada que mistura música, dramaturgia e multimédia para questionar o estado da liberdade e da democracia. A criação foi também apresentada no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.
O espetáculo “Tumor” estreou no Teatro Municipal de Oliveira de Azeméis, seguindo depois para o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Concebido no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, o projeto rapidamente evoluiu para uma reflexão sobre a atualidade: a ascensão de extremismos, os mecanismos de manipulação e os sinais de desgaste democrático.
A criação artística junta Pedro Lima, conceituado compositor bracarense responsável pela música original; João Amorim, ator e encenador, autor da dramaturgia e da condução cénica; e Bruno Costa, maestro da Banda Musical de Fajões. Com mais de 70 músicos em palco e o uso de vídeo, luz, texto e movimento, o espetáculo rompe com a tradição filarmónica ao acompanhar a transformação de uma personagem que atravessa diferentes universos musicais e políticos.
Resultado de residências artísticas, ensaios intensivos e trabalho colaborativo com escolas e instituições culturais, “Tumor” afirma-se como uma das produções mais ambiciosas da história recente da banda.
A VISÃO ARTÍSTICA
“Percebemos que seria mais interessante fazer uma auscultação contemporânea sobre esta democracia, esta liberdade e estes novos movimentos políticos. É uma história que justapõe vários quadros e trata temáticas extremistas e políticas para auscultar a realidade de 2025. A música cruza-se com as mensagens, procurando enaltecer, confundir, divertir e chamar a atenção. Este espetáculo pode gerar reações fortes e é um espaço democrático para refletirmos sobre tudo isto.”
Pedro Lima, compositor
O DESAFIO ARTÍSTICO
“Tem sido um desafio de excelência, porque estamos a trabalhar com pessoas fantásticas e com música escrita por alguém que merece muito respeito. Os níveis de motivação são altíssimos, porque acreditamos que estamos a fazer algo diferente do que é tradicional, abrindo novos cenários para a cultura filarmónica. A residência artística foi um momento muito rico, onde afinámos a música e a conceção cénica. A mensagem será um alerta: a liberdade não pode ser dada como garantida, tal como num corpo saudável podem instalar-se células cancerígenas.”
Bruno Costa, maestro da Banda Musical de Fajões
A AMBIÇÃO DA BANDA
“Este espetáculo surge de uma candidatura à DGArtes nas comemorações do 25 de Abril. É um conceito diferente do habitual nas bandas filarmónicas: alerta consciências, chama a atenção e deixa as pessoas a pensar. A banda não se contenta com apresentações tradicionais; estamos sempre a procurar ir mais longe. Os músicos e o maestro receberam o desafio com entusiasmo. É uma preparação exigente, mas faz a banda crescer muito artisticamente.”
António Aguiar, presidente da direção da
Banda Musical de Fajões