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O Hospital São Miguel passou de infraestrutura degradada a polo de referência em Geriatria para todo o país. Hoje, a unidade não serve apenas a comunidade local, mas recebe médicos de grandes centros nacionais para formação avançada
> Da degradação a orgulho nacional
Hospital São Miguel: o renascimento de uma unidade que se tornou referência nacional.
De unidade em risco de desmantelamento a exemplo de excelência clínica nacional, o Hospital de São Miguel, em Oliveira de Azeméis, vive uma profunda metamorfose sob a gestão da Unidade Local de Saúde (ULS). O renascimento da instituição alicerça-se na especialização em Geriatria Aguda — que hoje atrai médicos de grandes centros hospitalares para formação — e num projeto-piloto pioneiro que leva equipas hospitalares diretamente aos lares da região. Esta estratégia de proximidade e medicina preventiva visa antecipar crises de saúde em idosos vulneráveis, reduzindo a pressão nas urgências e garantindo um acompanhamento digno e proativo à comunidade oliveirense.
O Hospital de São Miguel, em Oliveira de Azeméis, é hoje o rosto de uma mudança de paradigma que salvou a saúde de proximidade na região. Em entrevista exclusiva concedida a Eduardo Costa na Azeméis TV, Miguel Paiva recordou que, ao assumir a gestão em 2015, a unidade vivia num estado de abandono crítico.
O administrador descreveu um cenário onde o investimento acumulado era nulo e as condições básicas de dignidade estavam em causa, com infiltrações graves que atingiam a consulta externa e as enfermarias. A estratégia de recuperação passou por uma reabilitação profunda e pela aposta em valências diferenciadas que tornaram a unidade estratégica no contexto da rede regional.
A grande transformação deu-se com a criação da Unidade de Geriatria Aguda, que hoje coloca Oliveira de Azeméis no mapa da excelência clínica nacional. Miguel Paiva sublinha que este serviço se tornou uma referência de tal ordem que médicos de grandes centros hospitalares nacionais procuram agora a unidade para realizar estágios. Esta especialização foi o antídoto para o receio histórico de desmantelamento da estrutura, provando que a descentralização, quando acompanhada de qualidade técnica, valoriza o hospital e serve melhor os cidadãos locais.
A inovação estende-se agora à integração com a comunidade através de um projeto-piloto pioneiro lançado em Oliveira de Azeméis. Este modelo consiste no acompanhamento proativo de doentes institucionalizados em lares, onde equipas de geriatria do hospital realizam visitas regulares para evitar descompensações. Segundo o administrador, esta abordagem preditiva permite antecipar crises e reduzir drasticamente a necessidade de idas à urgência, criando uma rede de segurança em torno dos idosos mais vulneráveis.
Com a integração na Unidade de Saúde Local, o Hospital de São Miguel consolidou-se como um pilar de proximidade gerido sob uma orientação única. Miguel Paiva enfatiza que esta coordenação entre cuidados primários e hospitalares eliminou as barreiras que existiam quando as instituições eram geridas como "casas diferentes". Hoje, a unidade oliveirense não é apenas um hospital de apoio, mas um centro de competências especializado que garante que a proximidade é sinónimo de qualidade superior, retribuindo o dinamismo de uma região que sempre apoiou a sua saúde.
O cenário de abandono.
"Um desafio importante diz respeito aos oliveirenses: desde a integração do Hospital de São Miguel em 2009 até chegarmos aqui em 2015, a verdade é que o hospital não tinha tido qualquer espécie de investimento. Encontrámos uma unidade com carências graves ao nível da própria infraestrutura. Chovia dentro da área da consulta externa, o átrio interior não tinha o mínimo de condições e o mínimo de dignidade, e chovia em algumas enfermarias. Isso não era digno para as pessoas que aqui recorriam e para quem aqui trabalhava."
A estratégia de investimento e reabilitação
"Iniciámos um projeto com um volume de investimento razoavelmente significativo e deixou de chover dentro do hospital pouco tempo depois. Reabilitámos as enfermarias e investimos, por exemplo, na área da radiologia, criando uma nova sala com equipamentos modernos. Isto permitiu que o serviço de radiologia não desse apenas resposta à urgência, mas também resposta em ambulatório. Percebemos claramente que as capacidades do Hospital de São Miguel não estavam a ser devidamente exploradas porque não havia condições para isso."
As vantagens da integração na ULS
"A integração de cuidados permite que o diálogo seja dentro da mesma casa. Antes falávamos de casas diferentes e replicávamos acompanhamentos que não acrescentavam valor. Agora manejamos todos os recursos, desde os médicos de família até aos hospitalares, e podemos melhorar essa articulação. É um desafio exigente que nos obriga a muito diálogo interno e construção de projetos, mas se nos derem tempo, conseguiremos ter a grande maioria destes doentes com modelos de acompanhamento altamente especializados que trazem muito mais segurança."
> É um novo projeto-piloto com epicentro em Oliveira de Azeméis
Medicina de antecipação: Hospital vai aos lares para travar urgências
Uma "revolução" na forma de olhar para o cidadão está em curso em Oliveira de Azeméis através de um modelo proativo de consultoria técnica em lares de idosos. Em vez de aguardar pela doença, equipas de geriatria do hospital realizam visitas regulares a doentes institucionalizados de alto risco, articulando cuidados com os profissionais dos lares. O objetivo é prevenir a descompensação de problemas crónicos, criando uma rede de segurança que evita deslocações desnecessárias ao hospital.
O projeto piloto nos lares de Azeméis
"Estamos a começar em Oliveira de Azeméis um projeto piloto com um lar. Nós sabemos que estes doentes de muito alto risco têm uma probabilidade elevada de precisar de ir à urgência ou de serem internados durante um ano. O que estamos a fazer é uma consultoria técnica do nosso serviço de geriatria aos lares onde esses doentes estão internados. Isso implica uma visita de médico e enfermeiro com regularidade, em articulação com as equipas dos lares, para que os doentes não descompensem e tenham intervenções proativas que evitem as idas à urgência."
Uma nova forma de olhar para o cidadão
"Esta experiência piloto em Oliveira de Azeméis serve para verificar o impacto desta estratégia, que é bastante diferente daquilo que habitualmente se fazia. Tradicionalmente, as instituições hospitalares ficam à espera que os doentes adoeçam para os tratar. Nós estamos um passo à frente: sabemos que aqueles doentes têm probabilidade de agudizar os seus problemas crónicos e estamos a preveni-los. É uma revolução na forma como olhamos para os nossos cidadãos e como pusemos em prática estratégias coordenadas."
> Médicos de referência vêm fazer estágios no S. Miguel
Geriatria de Oliveira de Azeméis: onde os grandes hospitais vêm aprender
A criação da Unidade de Geriatria Aguda transformou o Hospital de São Miguel num polo de formação avançada, invertendo anos de desinvestimento e receio de fecho da unidade. Atualmente, médicos de instituições de referência, como o Hospital de Santo António, procuram Oliveira de Azeméis para realizar estágios e aprender as melhores práticas nesta especialidade. Esta aposta não só salvou a infraestrutura local, como a integrou estrategicamente na rede regional como um centro de competências essencial.
A Geriatria como referência nacional
"Criámos em Oliveira de Azeméis uma unidade geriátrica que é hoje uma referência a nível nacional. Hoje vêm médicos de hospitais como o de Santo António, que são dos maiores do país, fazer estágios na nossa unidade de geriatria porque aqui, na área da geriatria aguda, estamos a fazer daquilo que melhor se faz nesta área no país. As pessoas vêm aqui aprender como se faz. Foi um desafio importante que permitiu valorizar as unidades de proximidade para que pudessem apoiar melhor o Hospital de São Sebastião."
Inverter a tendência de desmantelamento
"Durante muito tempo assistimos ao receio de que o Hospital de São Miguel fosse quase desmantelado, perdesse valências e deixasse de existir. Na nossa gestão inverteu-se essa tendência e valorizaram-se as unidades de proximidade para apoiarem melhor o Hospital de São Sebastião. O recurso e as potencialidades deste hospital não estavam a ser explorados e nós percebemos que a resposta integral às necessidades da região só pode ser dada com a mobilização de todos os recursos que existem ao longo da região."