4 Jul 2023
António Magalhães
O privilégio de Couto concedido a Cucujães vigorou durante longos setecentos e setenta e seis anos - quase oito séculos! - desde o ano de 1058 e até 1834, quando Joaquim António de Aguiar ordenou a extinção de todas as ordens religiosas, decisão que esteve na origem do cognome de “mata - frades”, com que ficou na história.
Mas se o privilégio se manteve por quase oito séculos, a localidade continuou conhecida e reconhecida por Couto de Cucujães mais cerca de um longo século - rigorosamente 869 anos - até que, no dia 11 de Junho de 1927, em consequência de uma decisão, que mesmo o sábio historiador Abade Arede considerou precipitada, foi alterada para Vila de Cucujães.
O topónimo Couto foi esquecendo ao longo dos anos, porque retirado de todos os documentos oficiais... e penso que, actualmente, apenas resiste na renovada estação do caminho-de-ferro.
Naturalmente que não se questiona a atribuição do galardão de vila, que a pujança da maior das dezanove freguesias do concelho por certo justificava de todo. Mas a promoção, cuja legitimidade está fora de causa, não deveria ter implicado a eliminação do título de Couto, um privilégio com o brutal peso de nove séculos de história...
A última edição, que conheço, do “Dicionário Coreográfico de Portugal”, diz-nos haver, no país, dez povoações com a designação de Couto, entre elas a vizinha Couto de Esteves, em terras de Sever do Vouga.
Este equívoco da história passou já por aqui várias vezes, consolidado então pela pena do Dr. Manuel Pereira da Costa, um saudoso cucujanense com nome consagrado na literatura, também director por longos anos do centenário semanário “O Regional”.
Mas nunca é tarde para emendar o erro… talvez até neste ano de 2023, quando se celebra o centenário da morte do Professor Doutor Ferreira da Silva, um filho de Couto de Cucujães, um dos maiores expoentes da ciência portuguesa.
(Escrito de acordo com a anterior ortografia)