15 Jan 2026
Bruno Aragão *
Opinião Política
Sobre as próximas eleições presidenciais talvez já muitos tenham dito tudo. Nos muitos debates, nos imensos comentadores e diversas entrevistas, há de tudo. Há candidatos a andar de mota, a fazer ginástica sénior ou até mesmo a vestir-se de Afonso Henriques. Há candidatos que gritam o tempo todo e a toda a hora. Há os que se vestem mais a rigor e, mesmo sem farda, procuram que nunca nos esqueçamos dela. Há os que já se afirmaram independentes e, por medo de sondagem ou pressão, precisam do governo e dos seus ministros para amparar o abalo. E há ainda aqueles que, mesmo com valores residuais, continuam a achar que, roubando a expressão a outros, ser “presenciável” é o mesmo que ser “presidenciável”. O que torna tudo isto extraordinário, é que todos têm o direito democrático de ir a eleições, pelo menos enquanto formos, como a maioria ainda defende, uma democracia. Mas vote-se em que se votar, ninguém se faça de inocente, nem todos são democratas.
Apesar de tudo isto há uma coisa que nunca esqueço. Para lá de todo o saudável ruído democrático, da tensão que se sente, das acrobacias para ganhar notoriedade, do esforço para se estar em todo o lado, e agradar ao máximo, no momento de votar somos só nós, em silêncio, com um papel e uma caneta.
Nesse momento, podemos até achar que contamos pouco ou que a nossa escolha é insignificante. Não é. Esse momento único, de escolha pessoal e secreta, é um momento de poder coletivo, que muda a história e o futuro. Nunca ninguém foi eleito sem o poder de um voto individual, de muitos votos individuais, exercidos no silêncio de uma urna.
Votamos sozinhos, mas escolhemos por todos. É por essa escolha coletiva que apelo ao voto em António José Seguro. Não é sobre nós. É sobre o que queremos ser e sobre a forma como queremos que o mundo também nos veja. Sem necessidade de gritos, acrobacias ou em ilusões, porque sempre fomos muito mais do que isso.
* Presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista